<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blog Cervejarte (Ricardo Rosa)</title>
	<atom:link href="http://cervejarte.org/blog/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://cervejarte.org/blog</link>
	<description>Blog sobre produção artesanal de cerveja</description>
	<lastBuildDate>Tue, 31 Jan 2012 17:44:01 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Fornicale Bitter, sem lavagem</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2012/01/30/fornicale-bitter-sem-lavagem/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2012/01/30/fornicale-bitter-sem-lavagem/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 23:27:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[Levas]]></category>
		<category><![CDATA[Técnicas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://cervejarte.org/blog/?p=708</guid>
		<description><![CDATA[No meu último artigo, Brassagem sem lavagem: eficiência versus qualidade?, mencionei o método de não-lavagem que li na revista Brew Your Own. Logo depois de escrever o artigo, coloquei o método em prática, (re)fazendo uma bitter que adoro. Já falei &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2012/01/30/fornicale-bitter-sem-lavagem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No meu último artigo, <a href="http://cervejarte.org/blog/2011/12/15/brassagem-sem-lavagem-eficiencia-versus-qualidade/" title="Brassagem sem lavagem: eficiência versus qualidade?">Brassagem sem lavagem: eficiência versus qualidade?</a>, mencionei o método de não-lavagem que li na revista <a href="http://byo.com/">Brew Your Own</a>. Logo depois de escrever o artigo, coloquei o método em prática, (re)fazendo uma bitter que adoro. </p>
<p>Já falei dessa bitter antes, no artigo <a href="http://cervejarte.org/blog/2011/08/08/fornicale-bitter/" title="Fornicale Bitter">Fornicale Bitter</a>. Em todas as outras vezes que fiz a Fornicale, fiz a lavagem do mosto.</p>
<p>Confesso que não acreditava muito que fosse sentir diferença na cerveja. Fiz mais pela diversão e pela experiência, e também, em grande parte, porque sem a lavagem o processo fica mais fácil e um pouco mais rápido. Mas para a minha surpresa, senti uma certa diferença no sabor! É verdade que essa é uma amostragem muito pequena pra dar isso como definitivo, mas pelo menos esse primeiro teste foi positivo!</p>
<p>Perdi um pouco de eficiência, como esperado, mas o problema maior foi a limitação na mostura por causa do tamanho da panela. Ao invés de 48 litros, só consegui fazer 36. Essa foi a perda maior. Mas ganhei em praticidade e em sabor. O ideal seria ter uma panela de brassagem um pouco maior; nesse caso a perda seria, apenas, de, talvez, 1kg a mais de malte, o que não é nada, pelo menos pra gente, que faz cerveja apenas por diversão e não está tão preocupado com o custo.</p>
<p>A minha panela de fervura é de 75 litros, de aço inox, que dá tranquilamente pra começar a fervura com uns 60-65 litros, sem risco do mosto transbordar, obtendo, ao final, uns 50 litros de mosto pra fermentar. Mas a minha panela de mostura é de apenas 56 litros. O pior é que eu tinha acabado de comprar essa panela, também de aço inox, e que seria perfeita caso usasse lavagem. Mas sem a lavagem, ela ficou pequena. Se tivesse lido o artigo um mês antes, teria comprado uma maior&#8230; E infelizmente a de 75 litros é a da Blichmann, que é ótima para fervura, mas não serve pra fazer a mostura com a bazooka, então não posso trocar o papel das duas panelas.</p>
<p>A minha eficiência costuma ficar em torno de 85%, com lavagem. Essa é a mesma eficiência citada pelo autor do artigo da <a href="http://byo.com/">Brew Your Own</a>. E ele fala que a eficiência dele foi para 70% sem a lavagem. Levei fé que aconteceria o mesmo com a minha. E foi na mosca!</p>
<p>Usei 8Kg de malte e fiz a mostura com 48L de água, dando uma diluição de 6L/Kg e um volume total em torno de uns 54-55L, quase transbordando, como mostra a foto abaixo.</p>
<div id="attachment_720" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2012/01/2011-12-22-12.21.45-blog.jpg" alt="" title="Mostura com 6L/Kg" width="400" height="533" class="size-full wp-image-720" /><p class="wp-caption-text">Mostura com 6L/Kg</p></div>
<p>Coloquei 4g de gipsita e 2g de cloreto de cálcio para cada 20L de água. Esquentei a água até uns 72C e adicionei o malte moído, com a mistura equilibrando em 68C. Mantive a temperatura entre 66 e 68C, por uns 80min. Não fiz mash-out, nem lavagem. Deixei o mosto escorrer para a panela de fervura, obtendo uns 40L pra começar a fervura. Adicionei 5L de água, conforme havia planejado para compensar um pouco a limitação na panela de mostura, e fervi por 75min. No final da fervura, obtive uns 38L, transferindo 36L para a fermentação. </p>
<p>Uma outra coisa que notei é que a recirculação foi mais demorada. Por conta da grande quantidade de água em relação ao malte, foi necessário recircular mais mosto. Normalmente fico uns 10 minutos recirculando e o mosto já clareia bastante, mas dessa vez fiquei mais de 20 minutos recirculando e mesmo assim o mosto não clareou tanto. Não tive paciência para ficar mais tempo e clarear mais.</p>
<p>Nessa leva estreei um segundo fogão mais baixo para a fervura, em uma altura certa para receber o mosto por gravidade e para passar o mosto para o tanque de fermentação também por gravidade. Como não fiz lavagem, não precisei de um terceiro fogão, nem de trocar panela de lugar. Perfeito! A foto abaixo mostra a transferência para a panela de fervura.</p>
<div id="attachment_722" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2012/01/2011-12-22-13.57.16-blog.jpg" alt="" title="Transferência do mosto para a fervura" width="400" height="533" class="size-full wp-image-722" /><p class="wp-caption-text">Transferência do mosto para a fervura</p></div>
<p>Usei malte pílsen, malte melanoidina belga, malte cara 50 belga, aveia em flocos e bem pouco de cevada torrada. Usei Chinook, pra amargor, a 60min, e Styrian Goldings, a 21min e 7min. A OG ficou em 1.041 e a FG em 1.011, atenuando 74% e dando 4,0% de álcool em volume. O amargor ficou em 35 IBUs, e a cor em 21 EBCs. Acho que das quatro ou cinco versões da Fornicale que eu fiz, essa foi a melhor. Além do sabor, acertei na cor, que não estava saindo como eu queria nas outras vezes.</p>
<p>Na fermentação, dividi a leva em três partes, fazendo dry-hopping de Styrian Goldings em uma, dry-hopping de Styrian Goldings mais Chinook em outra, e deixando a última sem dry-hopping. As três ficaram ótimas, mas para a minha surpresa, a que eu mais gostei foi a que não levou dry-hopping. O sabor do lúpulo proveniente da fervura ainda estava bem presente e sem esconder o sabor do malte. As que levaram dry-hopping estavam deliciosas mas o sabor do lúpulo muito mais aparente do que o do malte. A sem dry-hopping estava mais sutil e interessante. O que é curioso é que lembro que nas outras Fornicales, a versão sem dry-hopping ficava bastante sem graça.</p>
<p>Levei 7 ou 8 litros da versão com dry-hopping de Chinook e Styrian para a festa da ACervA Carioca ocorrida neste sábado, dia 28/jan/2012, comemorando o encontro marcante do embrião da ACervA, em 2006. A cerveja praticamente evaporou. Pena que só consegui servir a cerveja no final da festa e poucas pessoas provaram.</p>
<p>Para concluir, vamos resumir as vantagens e desvantagens que notei do método de não-lavagem.</p>
<p><strong>Vantagens:</strong></p>
<ul>
<li>menos trabalho;</li>
<li>menos tempo;</li>
<li>menos uma panela;</li>
<li>menos uma boca de fogão (ou menos trocas de panelas pra aproveitar uma mesma boca de fogão);</li>
<li>mais sabor;</li>
<li>caso se deseje fazer vários patamares de temperatura, pode-se acrescentar a água quente aos poucos, evitando fogo direto e acelerando as mudanças de patamar.</li>
</ul>
<p><strong>Desvantagens:</strong></p>
<ul>
<li>custo maior (a eficiência é menor, o que significa usar mais malte para fazer a mesma quantidade de cerveja, ou fazer menos cerveja);</li>
<li>necessidade de uma panela maior para a brassagem (ou fazer menos cerveja);</li>
<li>recirculação menos demorada (mas mesmo assim, com a bazooka, acho que ainda fica mais rápido que com fundo falso).</li>
</ul>
<p>Eu, particularmente, gostei muito do resultado e pretendo continuar fazendo assim.</p>
<p>E para os que fizerem a experiência, comentem aqui as suas impressões!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2012/01/30/fornicale-bitter-sem-lavagem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brassagem sem lavagem: eficiência versus qualidade?</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2011/12/15/brassagem-sem-lavagem-eficiencia-versus-qualidade/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2011/12/15/brassagem-sem-lavagem-eficiencia-versus-qualidade/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 20:39:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Técnicas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://cervejarte.org/blog/?p=670</guid>
		<description><![CDATA[Quando achamos que já vimos de tudo sobre fabricação de cerveja, aparece algo que ainda nos surpreende. No caso, estou falando sobre uma matéria que saiu na edição de novembro da revista Brew Your Own, que traz uma matéria sobre &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2011/12/15/brassagem-sem-lavagem-eficiencia-versus-qualidade/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando achamos que já vimos de tudo sobre fabricação de cerveja, aparece algo que ainda nos surpreende. No caso, estou falando sobre uma matéria que saiu na <a href="http://byo.com/stories/issue/list/issues/288-november-2011" title="BYO November 2011">edição de novembro</a> da revista <a href="http://byo.com/" title="Brew Your Own">Brew Your Own</a>, que traz uma matéria sobre brassagem sem lavagem (no-sparging, no original). A matéria é assinada por Dave Louw.</p>
<p>É claro que fazer a brassagem sem lavar não é muita novidade, mas o que surpreende é a suposta melhoria na qualidade da cerveja, segundo a matéria. Essa melhoria ocorre principalmente em cervejas mais leves, onde diferenças mais sutis têm mais chances de serem percebidas.</p>
<p>O início da matéria é bastante convincente em relação a essa melhoria. Descreve um fato vivenciado pelo autor, quando julgava algumas cervejas na primeira fase do concurso mais importante de cervejas caseiras dos Estados Unidos, o NHC (National Homebrewing Competition), em 2008. O estilo era <a href="http://www.bjcp.org/2008styles/style08.php#1a" title="BJCP Ordinary Bitter">Ordinary Bitter</a>, e uma cerveja se destacou em muito por sua &#8220;profundidade&#8221; nas características de malte, sem deixar de ser seca, leve e agradável. Mais tarde, descobriu que a cerveja acabou sendo a campeã de seu estilo e tinha sido feita por ninguém menos que <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jamil_Zainasheff" title="Jamil Zainasheff">Jamil Zainasheff</a>. Além disso, a receita campeã era conhecida do autor, que já a tinha reproduzido em casa, com exatamente os mesmos ingredientes, mas sem conseguir a mesma qualidade. Deduziu que deveria haver algo de diferente no processo e, através de trocas de emails com o cervejeiro campeão, deduziu que o fator principal era a diferença em eficiência. Enquanto ele conseguia regularmente algo em torno de 85% de eficiência, Jamil fabricava consistentemente em torno de 70%, propositadamente, por achar que assim conseguia melhores resultados em termos de qualidade.</p>
<p>A partir daí, Dave fez várias pesquisas e experiências, convergindo para a brassagem sem lavagem como fator principal. Não fica claro se Jamil evitava a lavagem também ou se apenas fazia a lavagem de tal forma a ficar com 70% de eficiência; acredito que ele fazia a lavagem. Independentemente disso, a impressão é de que o método de não-lavagem foi a melhor maneira encontrada por Dave de alcançar consistentemente os 70% de eficiência e de aumentar a presença do malte na cerveja. Um fato concreto é que, em seguida, Dave ficou em primeiro lugar na sessão sudoeste do NHC de 2009 com uma Ordinary Bitter feita dessa maneira.</p>
<p>A ideia é bem simples. Ao invés de fazermos uma mostura com algo em torno de 2,5 litros por quilo de malte e, em seguida, uma lavagem com algo em torno de 4 ou 5 litros de água por quilo de malte, fazemos direto uma mostura com algo um pouco acima de 5 litros por quilo de malte e depois apenas deixamos escorrer o mosto sem adicionar água (recirculando antes, naturalmente, e fazendo o mash-out se desejado). </p>
<p>Na brassagem, busca-se a mesma gravidade original que no método com lavagem. O objetivo é obter uma cerveja com os mesmos parâmetros de extrato original, extrato final, teor alcoólico, amargor e cor, apenas com mais percepção de malte. A eficiência será menor e teremos um volume menor de cerveja, ou então teremos que aumentar a quantidade de malte para ter o mesmo volume de cerveja.</p>
<p>Uma outra vantagem do método, bem mais óbvia, é que sem a lavagem o processo é menos trabalhoso e requer uma boca de fogão a menos (ou menos trocas de panelas entre a mesma boca). Ainda não está claro pra mim se acaba sendo mais rápido ou não, pois evita-se o tempo gasto com a lavagem, mas há um tempo maior esquentando uma maior quantidade de água para a mostura e, se for o caso, para o mash-out e/ou outras paradas de temperatura.</p>
<p>Uma pequena variação desse método e que deve, sim, economizar mais tempo é fazer uma parada de sacarificação com uma diluição intermediária, algo como 3,5 litros por quilo, e, ao final da sacarificação, adicionar uns 2 litros de água mais quente para levar a mistura direto até a temperatura de mash-out, para, em seguida, drenar o mosto do bagaço sem fazer a lavagem.</p>
<p>Uma grande desvantagem é que a mostura com 5 ou mais litros de água por quilo requer uma panela maior de brassagem, ou limita mais o volume final de cerveja. </p>
<p>O autor não dá uma explicação detalhada para o motivo da diferença em qualidade. Apenas imagina que uma uniformidade maior na gravidade do mosto diminua a extração de taninos. E que talvez haja uma diferença nas substâncias extraídas no início da mostura em comparação com às extraídas no final da lavagem. Mas o fato concreto é que, por algum motivo, ele nota uma diferença na qualidade.</p>
<p>Essa questão da eficiência é surpreendente, pois estamos acostumados a buscar o máximo possível de eficiência, como se isso fosse sinônimo de qualidade, ou, no mínimo, de alguma suposta excelência na técnica. Isso definitivamente é uma quebra de paradigma. Eu, em particular, estava muito feliz em conseguir regularmente uma eficiência entre 85 e 90% para cervejas leves, tendo ido a 92 e 93% dependendo da receita. Mas agora é hora de rever os conceitos.</p>
<p>Mas a questão principal não é a eficiência em si, mas a forma de obter a eficiência. Além da lavagem, fatores como a moagem do malte e o controle de temperatura durante a mostura também fazem diferença. Não adianta ter uma moagem ruim e obter algo em torno de 70% de eficiência lavando muito. É preciso ter, de fato, um bom método com o qual você possa obter iso sem a lavagem ou, pelo menos, lavando pouco. </p>
<p>Dave descreve que, comparando lado a lado cervejas de baixa gravidade feitas pelos dois processos, uma maior intensidade de malte &#8220;fresco&#8221; é percebida na que não teve lavagem, com aroma e sabor que se assemelham à experiência que se tem quando se abre um saco novo de grãos de malte. </p>
<p>Resta saber, no entanto, se a diferença é tão sutil que apenas algumas pessoas extraordinárias sentiriam a diferença ou se é algo mais aparente e que nós, normais, sentiríamos também. Espero poder descobrir, porque essa técnica eu certamente não vou deixar de experimentar. Já estou me programando para fazer a minha próxima leva desse jeito. A idéia é produzir mais uma versão da minha Fornicale, uma bitter com algo em torno de 4% de teor alcoólico, mais do que apropriada para essa experiência. </p>
<p>Até breve!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2011/12/15/brassagem-sem-lavagem-eficiencia-versus-qualidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>18</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O que há de real na atenuação?</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2011/10/20/o-que-ha-de-real-na-atenuacao/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2011/10/20/o-que-ha-de-real-na-atenuacao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 02:20:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[Técnicas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://cervejarte.org/blog/?p=363</guid>
		<description><![CDATA[Uma das primeiras coisas que aprendemos a calcular na fabricação de cervejas é o teor alcoólico; ficamos naturalmente curiosos em saber quanto de álcool foi produzido. E, provavelmente, a segunda coisa que a maioria aprende a calcular é a atenuação &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2011/10/20/o-que-ha-de-real-na-atenuacao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das primeiras coisas que aprendemos a calcular na fabricação de cervejas é o teor alcoólico; ficamos naturalmente curiosos em saber quanto de álcool foi produzido. E, provavelmente, a segunda coisa que a maioria aprende a calcular é a atenuação aparente. A atenuação aparente nos dá uma indicação de como foi a fermentação (ou de como ela está indo e se está perto de acabar ou não).</p>
<p>Junto com a atenuação aparente, que é fácil de se calcular com base no extrato inicial e no extrato final aparente, aprendemos também que existe uma atenuação real, associada a um extrato final real, e que é um pouco mais elusiva e mais complicada de se calcular. E é algo que quase todos ignoramos, com razão, pois a prática comum de toda a comunidade é utilizar apenas os parâmetros aparentes.</p>
<p>Na verdade, é a atenuação real que está mais diretamente ligada ao conteúdo alcoólico, à performance do fermento e à quantidade de açúcar residual, que influencia, em particular, no equilíbrio da cerveja. Mas graças a certas fórmulas simples envolvendo os extratos original, final aparente e final real, podemos pensar e trabalhar, em grande parte, apenas em função da atenuação aparente.</p>
<p>No entanto, sempre fiquei intrigado com o papel da atenuação real e recentemente tive a oportunidade de compreender um pouco melhor o seu papel e de ver a sua utilidade na fabricação de cervejas um pouco extremas.</p>
<p>Em princípio, a atenuação real seria uma medida da redução da concentração de açúcar pela fermentação, em porcentagem de massa. Isso leva em consideração que nem todos os tipos de açúcares são consumidos pelo fermento. Porém, há ainda dextrinas, proteínas e outras substâncias no mosto que também não são fermentáveis, apesar de alguns nutrientes serem consumidos pelo fermento no processo de fermentação. O mosto e a cerveja são uma solução, onde os solventes são a água e o álcool e o soluto é composto pelas outras substâncias. Então na verdade a <em>atenuação real</em> tenta medir a redução na concentração total dessas substâncias, ocorrida na fermentação. Isso não nos dá, diretamente, a porcentagem da massa total das substâncias do soluto que foi consumida pelo fermento. Isso porque o açúcar é convertido em grande parte em gás carbônico e álcool, aumentando com isso a massa do solvente. </p>
<p>Veja o desenho abaixo, ilustrando apenas as substâncias que estão diluídas no mosto, antes da fermentação, e na cerveja, depois da fermentação.</p>
<div id="attachment_376" class="wp-caption alignnone" style="width: 594px"><a href="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/substancias-antes-e-depois-da-fermentacao.png"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/substancias-antes-e-depois-da-fermentacao.png" alt="" title="Substâncias presentes antes e depois da fermentação" width="584" height="413" class="size-full wp-image-376" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 1: Substâncias presentes antes e depois da fermentação</p></div>
<p>Já o desenho abaixo ilustra não só a redução nas substâncias do soluto mas também a mudança no solvente, com a água, do mosto, sendo acrescida de álcool, na cerveja.</p>
<div id="attachment_378" class="wp-caption alignnone" style="width: 594px"><a href="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/mostoecerveja-antes-e-depois-da-fermentacao1.png"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/mostoecerveja-antes-e-depois-da-fermentacao1.png" alt="" title="Composição do mosto e da cerveja, antes e depois da fermentação" width="584" height="413" class="alignnone size-full wp-image-378" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 2: Composição do mosto e da cerveja, antes e depois da fermentação</p></div>
<p>O que medimos é a densidade (através do densímetro) ou a refração (através do refratômetro) da solução toda, com as substâncias diluídas na água e possivelmente também no álcool, no caso do mosto já ter fermentado ou começado a fermentar.</p>
<p>Como inferir a redução na concentração através da leitura da densidade do mosto/cerveja? Aí mora a diferença entre a atenuação real e a aparente. </p>
<p>A atenuação aparente é inferida diretamente através das densidades inicial e final aparente, através de uma fórmula, obtida experimentalmente, relacionando a densidade da solução (e.g. em gravidade específica) com o extrato (a relação entre a massa do soluto e a massa do solvente) (e.g. graus Plato). Veja a página <a href="http://cervejarte.org/blog/calcularte/gravidade-especifica-e-extrato/" title="Gravidade específica e extrato">Gravidade específica e extrato</a> para mais detalhes. Mas como essa fórmula é baseada na hipótese do solvente ser simplesmente água, ela dá um valor irreal para o extrato final, por causa da presença do álcool, que é bem mais leve que a água. Por esse motivo, esse extrato é chamado de aparente.</p>
<p>A figura abaixo ilustra o &#8220;engano&#8221; causado na medição do extrato final devido à presença do álcool. A fórmula assume que há apenas água e, com isso, dá um valor mais baixo para o extrato final, diminuindo a massa do soluto para compensar a massa mais leve do álcool.</p>
<div id="attachment_396" class="wp-caption alignnone" style="width: 594px"><a href="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/atenuacaoaparente.png"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/atenuacaoaparente.png" alt="" title="Atenuação aparente" width="584" height="413" class="size-full wp-image-396" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 3: Atenuação aparente</p></div>
<p>A atenuação real, por sua vez, é inferida a partir dos extratos inicial e final aparente,  através de uma fórmula mais complicada que leva em consideração todo o álcool gerado e a diferença de massa entre o álcool e a água, transformando, no plano teórico, todo o álcool por água e lendo o valor real do extrato final. </p>
<div id="attachment_379" class="wp-caption alignnone" style="width: 594px"><a href="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/substanciasdiluidasnaagua-antes-e-depois-da-fermentacao.png"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/substanciasdiluidasnaagua-antes-e-depois-da-fermentacao.png" alt="" title="Substâncias antes e depois da fermentação, diluídas apenas em água" width="584" height="413" class="alignnone size-full wp-image-379" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 4: Substâncias antes e depois da fermentação, diluídas apenas em água, substituindo o álcool pelo mesmo volume em água, cálculo feito corretamente pela fórmula para o extrato final real</p></div>
<p>As fórmulas estão presentes nos programas de cerveja e em páginas na internet e não são o objetivo principal aqui. O que eu gostaria de discutir mais no momento está relacionado à seguinte pergunta:</p>
<p><strong>Se após a fermentação adicionarmos uma certa quantidade de açúcar 100% fermentável (e.g. glicose, frutose, sacarose, maltose), qual deverá ser o extrato final após essa segunda fermentação? Como ter certeza se esse açúcar foi realmente totalmente fermentado ou se o fermento &#8220;cansou&#8221; antes?</strong></p>
<p>A resposta está no extrato real. O extrato final aparente levará em conta, também, o álcool gerado a mais, que faz a cerveja ficar bem mais leve (e quem beber também&#8230;). Mas o extrato final real após a segunda fermentação será quase igual ao extrato final real após a primeira fermentação (caso o açúcar seja completamente fermentado). Isso está ilustrado na figura abaixo.</p>
<div id="attachment_388" class="wp-caption alignnone" style="width: 594px"><a href="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/mostoecerveja-comrefermentacao.png"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/10/mostoecerveja-comrefermentacao.png" alt="" title="Composição do mosto e da cerveja com a primeira e a segunda fermentações" width="584" height="826" class="size-full wp-image-388" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 4: Composição do mosto e da cerveja com a primeira e a segunda fermentações</p></div>
<p>O único detalhe é que com a segunda fermentação, o açúcar fermentável foi transformado em parte em mais álcool, aumentando um pouco mais a massa do solvente (a cerveja!) e, com isso, diminuindo o extrato final real (a relação entre o soluto, não fermentado, e a solução toda). Nesse caso, se o açúcar adicionado para a segunda fermentação for completamente fermentado, o extrato final real após a segunda fermentação será um pouco menor que o extrato final real após a primeira fermentação. O extrato final aparente, no entanto, será muito menor.</p>
<p>Para saber exatamente quão menor seria o extrato final real, é necessária saber quanto de álcool foi produzido nessa segunda fermentação e descontar isso da massa do solvente. Mesma coisa se quisermos saber somente a redução do soluto (Figura 1), sem incluir a redução na concentração por conta do aumento na massa do solvente causado pelo álcool gerado. Mas não vou entrar nesses detalhes dessa vez. Vamos ver apenas como essa informação qualitativa pode nos ajudar. </p>
<p>Como exemplos, fiz um teste acrescentando mais açúcar em uma nova versão da minha Barley Wine e comparei as medições obtidas em uma cerveja belga tipo Brüt que eu e Duda estamos fazendo, que levou uma quantidade grande de açúcar para ficar mais seca. </p>
<p>Na Barley Wine, o extrato final real após a segunda fermentação ficou um tanto acima do extrato final real após a primeira fermentação, indicando que o fermento não aguentou comer todo o açúcar adicionado. Usei o fermento London da White Labs, com o teor alcoólico pulando de 8,8% v/v para 12% v/v. Adicionei pouco mais de 500g de açúcar de cana refinado a 5L da cerveja e não houve adição de mais fermento para essa segunda fermentação.</p>
<p>Já na Brüt, o extrato final real após a segunda fermentação ficou um pouco abaixo do extrato final real após a primeira fermentação, indicando que provavelmente todo o açúcar adicionado foi consumido pelo fermento. Na primeira fermentação, utilizamos o Belgian Abbey da White Labs, enquanto que na segunda fermentação, além do açúcar (1,5Kg de açúcar de cana refinado para uns 15L de cerveja), adicionamos, também, o fermento Super High-Gravity, da White Labs, que além de comer o açúcar adicionado para a refermentação, pode ter comido um pouco dos açúcares mais complexos que o Belgian Abbey não conseguiu comer. Essa cerveja também chegou a 12% v/v.</p>
<p>Eventualmente pretendo escrever com mais detalhes sobre essas duas cervejas e descrever melhor as medições e cálculos feitos. Por enquanto, espero ter conseguido explicar a noção de extrato real e uma utilidade prática desse conceito.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2011/10/20/o-que-ha-de-real-na-atenuacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Fornicale Bitter</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2011/08/08/fornicale-bitter/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2011/08/08/fornicale-bitter/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 01:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[Levas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.cervejarte.org/2011/08/08/fornicale-bitter/</guid>
		<description><![CDATA[Cervejas extremas ou com ingredientes exóticos estão na moda. É natural, pois grande parte da graça de se fazer algo está nos desafios e na busca por algo diferente. Isso vale principalmente para quem faz isso por hobby, mas também &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2011/08/08/fornicale-bitter/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cervejas extremas ou com ingredientes exóticos estão na moda. É natural, pois grande parte da graça de se fazer algo está nos desafios e na busca por algo diferente. Isso vale principalmente para quem faz isso por hobby, mas também para os que tem algum compromisso com o mercado. Mas com frequência, em diversos eventos e lugares, isso aparece em excesso, com cada um querendo exibir a sua cria mais exótica, e invariavelmente sinto falta de uma cerveja simples, com baixo teor alcoólico, balanceada, fácil de beber e ainda assim deliciosa.</p>
<p>É nessa direção que tem aumentado cada vez mais a minha predileção por Bitters e Pale Ales em geral. E o ícone, pra mim, desse tipo de cerveja, e uma das minhas favoritas, é a <a href="http://www.fullers.co.uk/rte.asp?id=58">Chiswick Bitter</a>, da cervejaria inglesa <a href="http://www.fullers.co.uk/">Fullers</a>. Gosto de brincar dizendo que essa também é uma cerveja extrema, pois está no extremo inferior do parâmetro teor alcoólico, com apenas 3,5% por volume! É uma Bitter com um sabor discreto de malte e muito aroma e sabor de lúpulo, que é o que a distingue e a torna especial. E, por ser bastante leve, seca e saborosa, é muito fácil de beber. </p>
<p>Tomei o chopp Chiswick em uma visita à Fullers, em uma <a href="http://blog.cervejarte.org/2007/05/31/congresso-na-inglaterra-o-dever-me-chama/">viagem à Inglaterra em 2007,</a> e saí fascinado com essa cerveja. Também tomei várias outras bitters com teor alcoólico em torno de 4% e 5%, com um pouco mais de presença de malte, além do lúpulo, e todas muito saborosas. E nos EUA, apesar de todo o frenesi sobre cervejas extremas, há várias pale ales com teor alcoólico em torno de 5% e muito saborosas.<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2011/08/08/fornicale-bitter/bar-da-fullers/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/08/DSC_3239_blog1.jpg" alt="Bar da Fullers" title="Bar da Fullers" width="600" height="399" class="alignnone size-medium wp-image-302" /></a></p>
<p>Em relação à Chiswick, ela foi uma das cervejas escolhidas no Big Brew Day 2008 da <a href="http://www.homebrewersassociation.org/">American Homebrewers Association</a> e a sua <a href="http://wiki.americanhomebrewers.org/BigBrew08">receita</a> foi publicada na página deles, com malte base Pale, algo próximo de 5% de malte caramelo, lúpulo Target de amargor, Northdown e Challenger de sabor e aroma, e East Kent Goldings em três etapas de dry-hopping (no final da fermentação, na maturação e no envase), dando uma OG de 1.040 e IBU de 33. Como tinha gostado muito dessa cerveja, botei pilha no Mauro Nogueira da <a href="http://www.confrariadomarques.com.br/">Confraria do Marquês</a> para fazermos uma leva coletiva dessa cerveja, pela <a href="http://www.acervacarioca.com.br">ACervA Carioca</a>, no dia daquele Brew Day de 2008. Fizemos a cerveja e ela foi um tremendo sucesso. </p>
<p>Desde então fiz algumas versões inspiradas na Chiswick e nas outras bitters, tentando caminhar para um receita definitiva (ou quase). Como princípio básico, a receita deve ser simples, com poucos maltes, em variedade e proporção, abusando apenas na lupulagem de aroma e sabor. Tenho buscado uma cerveja com os seguintes parâmetros:</p>
<ul>
<li>Gravidade original entre 1.040 e 1.045</li>
<li>Amargor entre 30 e 34 IBUs</li>
<li>Teor alcoólico entre 4,0 e 4,4% por volume</li>
<li>Em torno de 95% de malte base, de preferência malte Pale, ou então Pílsen com possivelmente um pouco de Munich ou Melanoidina, e os 5% restantes de malte caramelo</li>
<li>Mostura em torno de 65-68C</li>
<li>Fermento <a href="http://www.whitelabs.com/beer/strains_wlp013.html">WLP013 London Ale</a> da White Labs ou outro parecido</li>
<li>Em torno de 2/3 de IBUs provenientes de lupulagem a 60 minutos e o restante distribuído em lupulagens de sabor e aroma em duas ou três adições entre 0 e 30min</li>
<li>Um ou mais dry-hoppings totalizando algo entre 1g/L e 2g/L, de preferência East Kent Goldings ou Styrian Goldings, para ficar numa bitter inglesa, mas podendo variar para algum outro lúpulo, dependendo do gosto no momento</li>
</ul>
<p>Essa cerveja tem feito muito sucesso e, invariavelmente, é o primeiro barril a roncar. Batizei essa cerveja de <em>Fornicale</em> (contrapondo com a <a href="http://femalecarioca.blogspot.com/2009/09/sex-holic.html">Sex-a-holic</a> da <a href="http://femalecarioca.blogspot.com">Duda</a>!) e desenhei um rótulo, só pra fazer uma graça. Aqui está o rótulo de uma das versões, na qual coloquei um pouquinho de malte escuro para dar uma cor mais avermelhada:<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2011/08/08/fornicale-bitter/rotulo-fornicale/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/08/rotulo_fornicale_mar2010_400px1.png" alt="Rótulo Fornicale" title="Rótulo Fornicale" width="400" height="400" class="alignnone size-medium wp-image-301" /></a></p>
<p>Bom, é isso, só espero que esse artigo ajude a incentivar as pessoas a fabricarem mais bitters deliciosas!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2011/08/08/fornicale-bitter/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre o artigo do Brejas contra uma suposta obsessão brasileira pelo BJCP</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2011/07/13/sobre-o-artigo-do-brejas-contra-uma-suposta-obsessao-brasileira-pelo-bjcp/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2011/07/13/sobre-o-artigo-do-brejas-contra-uma-suposta-obsessao-brasileira-pelo-bjcp/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2011 15:17:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[Diversos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.cervejarte.org/2011/07/13/sobre-o-artigo-do-brejas-contra-uma-suposta-obsessao-brasileira-pelo-bjcp/</guid>
		<description><![CDATA[Escrevo sobre o artigo do Brejas &#8220;A estranha obsessão brasileira pelo BJCP&#8221;. Quem escreve é um time de peso, e de amigos. A eles, e aos seus leitores, me dirijo: Olá, pessoal! É claro que concordo, enviesadamente, digamos assim, com &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2011/07/13/sobre-o-artigo-do-brejas-contra-uma-suposta-obsessao-brasileira-pelo-bjcp/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevo sobre o artigo do Brejas <a href="http://www.brejas.com.br/blog/13-07-2011/estranha-obsessao-brasileira-bjcp-9700/">&#8220;A estranha obsessão brasileira pelo BJCP&#8221;</a>.</p>
<p>Quem escreve é um time de peso, e de amigos. A eles, e aos seus leitores, me dirijo:</p>
<p>Olá, pessoal!</p>
<p>É claro que concordo, enviesadamente, digamos assim, com algumas coisas que escrevem, mas gostaria de discordar e ressaltar alguns aspectos, se me permitem, e com todo o respeito.</p>
<p>Antes queria deixar claro que não rezo cegamente pela cartilha do BJCP, mas não acho justo demonizá-lo, e queria ser um pouco o advogado do diabo nesse caso. </p>
<p>1) Quem disse que o BJCP é o zênite, a última palavra no assunto? Ou vocês acham que o Brewers Association é o zênite? Ou o curso da Doemens? Ou o Ciccerone? Acho que essa não é a questão. Os dois guias são bons e os dois podem ser usados em diversos tipos de concurso, com jurados certificados em qualquer um deles julgando em um mesmo concurso. E podem existir cursos de diversos tipos, sem nicho de mercado de nenhum deles, com focos diversos. </p>
<p>2) O BJCP não é tão &#8220;amarrado&#8221; quanto o pintam. Há a categoria 20. Fruit Beer e a 17E. Fruit Lambic, que aceitariam perfeitamente uma jaboticaba, por exemplo. Se jurados estrangeiros não conhecem jaboticaba e teriam dificuldade de avaliar a Vivre, isso é outra questão, que não é culpa do BJCP, mas da falta de experiência do jurado nesse caso, que, como vocês mesmo afirmam, não é uma máquina para saber tudo, seja ele certificado BJCP ou Doemens ou etc. Aliás, assino o fórum da American Homebrewers Association e um tópico recente, que menciono apenas por curiosidade, foi sobre jaboticaba. Tem cervejeiro nos EUA que tem jaboticabeira plantada em casa e tá fazendo cerveja caseira com jaboticaba. </p>
<p>3) E tem também a categoria 23. Specialty Beer, que serve para novidades que podem virar um estilo próprio. O BJCP é versátil e os jurados que o julgam também deveriam ser. Acho maravilhoso um concurso desse como em Minas, que se enquadraria nessa categoria 23, e aqui mesmo no Rio já tivemos, bem antes, concursos &#8220;livres&#8221;, com cerveja até de pimenta malagueta, só pra mencionar uma. Infelizmente, em outros concursos da ACervA fora do Rio, essa ideia não foi levada adiante (nem no concurso em Minas), apesar de ter o apoio de vários cervejeiros caseiros.</p>
<p>4) Gosto muito do guia de estilos do Brewers Association, e já comentei no meu blog que, por exemplo, o estilo India Black Ale já existe nele e ainda não existe no BJCP, entre outros. Mas vale ressaltar, também, que algumas India Black Ales já vinham sendo feitas há anos mas ela só entrou no guia quando virou &#8220;moda&#8221; e várias microcervejarias começaram a fabricar a sua versão de IBA. Nessa mesma época, o BJCP se pronunciou dizendo que assim que isso virar moda nos concurso de cervejeiros caseiros ele poderia virar um estilo próprio, mas por enquanto compete em 23. Specialty Beer. </p>
<p>5) Aliás, vale ressaltar que o BJCP foi criado para julgar cervejas caseiras, enquanto que o Brewers Association é utilizado para cervejas comerciais. Cada um tem as suas peculiaridades e cada um segue as tendências e se adapta ao seu &#8220;filão&#8221;, digamos assim. Talvez as microcervejarias (americanas) sejam muito mais ágeis e, com toda a facilidade de equipamento, fabricação constante e mídia, conseguem fazer moda mais facilmente, enquanto que os caseiros ficam mais dispersos. Isso naturalmente poderia se refletir nos guias e no ritmo das suas atualizações. De qualquer maneira, tem que dar tempo ao tempo, para novos estilos se criarem.</p>
<p>6) Não sou, em princípio, a favor de restringir os concursos a jurados certificados, qualquer que seja o certificado, pelo menos no estágio atual em que estamos. Não estou sabendo de nenhum boato recente, mas se isso aconteceu em algum nível, é condenável. E isso não é culpa do guia BJCP em si. Qualquer um pode avaliar uma cerveja seguindo as diretrizes do BJCP, independende da chancela deles e de entrar ou não no calendário oficial deles. É claro que um jurado BJCP bem graduado tem grande respaldo e pode, em princípio, ter mais conhecimento sobre as peculiaridades e dificuldades de se fazer cerveja em casa, mas outros não credenciados mas reconhecidamente qualificados deveriam poder julgar também. </p>
<p>7) É claro que termos um guia nosso seria muito bom, mas isso é viável no momento? E a alternativa de trocar o BJCP pelo Brewers Association é tão melhor assim? Seria tão útil para cervejeiros caseiros? Não foi natural, como cervejeiros caseiros, começarmos a usar o BJCP? Porque demonizá-lo agora? Respondam a isso: em que sentido uma avaliação pelo guia do Brewers Association seria melhor? Tanto em relação a estilos já estabelecidos quanto aos não estabelecidos? Essa pergunta não envolve as peculiaridades do jurado, mas em relação aos parâmetros. E a atualização de quatro em quatro anos não é tão dramática assim.</p>
<p>8) Mais uma vez, a &#8220;culpa&#8221; não é do BJCP, mas do uso que as pessoas fazem dele.</p>
<p>9) Também fico com o pé atrás em relação a essa história dos cursos preparatórios, mas isso não é muito diferente de outros diplomas. Enquanto o preço for justo e o ensinamento for bom e honesto, está valendo. Há muito a se aprender ao se estudar para um tal certificado. </p>
<p>10) O que me parece é que tem algum ruído por trás desse artigo e que levou a esse quase &#8220;manifesto&#8221;. Mas para quem está por fora da fofoca, o foco me parece errado. </p>
<p>Grande abraço a todos!<br />
Ricardo</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2011/07/13/sobre-o-artigo-do-brejas-contra-uma-suposta-obsessao-brasileira-pelo-bjcp/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>19</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Teste simples de aeração</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2011/04/27/teste-simples-de-aeracao/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2011/04/27/teste-simples-de-aeracao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 13:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[Técnicas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.cervejarte.org/2011/04/27/teste-simples-de-aeracao/</guid>
		<description><![CDATA[A fermentação é uma das fases mais misteriosas na fabricação de cervejas. Um livro recente de Chris White e Jamil Zainasheff nos traz um pouco de luz nessa fase. Chris White é o fundador e presidente da White Labs, uma &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2011/04/27/teste-simples-de-aeracao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A fermentação é uma das fases mais misteriosas na fabricação de cervejas. Um livro recente de Chris White e Jamil Zainasheff nos traz um pouco de luz nessa fase.</p>
<p>Chris White é o fundador e presidente da <a href="http://www.whitelabs.com/">White Labs</a>, uma empresa americana fornecedora de fermentos para cervejeiros caseiros e micro-cervejarias, e Jamil Zainasheff é um cervejeiro caseiro premiado, escritor de livros de cerveja e apresentador do programa de rádio sobre cerveja <a href="http://www.thebrewingnetwork.com/shows/The-Jamil-Show">&#8220;The Jamil Show&#8221;</a>. O livro é intitulado <a href="http://www.amazon.com/Yeast-Practical-Fermentation-Brewing-Elements/dp/0937381969">&#8220;Yeast &#8211; The Practical Guide to Beer Fermentation&#8221;</a> (tradução livre: Fermento &#8211; O Guia Prático para Fermentação de Cerveja).</p>
<p>Há várias partes técnicas no livro mas, independentemente disso, há vários ensinamentos interessantes. Nessa minha fabricação mais recente, resolvi por em prática um dos testes que o livro indica.</p>
<p>Na verdade fiz uma variação do teste. O teste de aeração descrito no livro (páginas 226-228) é para encontrar o nível de aeração adequado para cada fermento. Os autores afirmam que cada fermento tem um nível adequado de aeração, com fermentos mais floculentos tendendo a exigir mais oxigênio. Os autores dividem os fermentos em três categorias em termos de demanda de oxigênio: baixa, média e alta. Os de baixa demanda são estimulados por menos de 5ppm, os de média por 5ppm ou um pouco mais e os de alta por 10ppm ou mais. Isso pelo menos para fermentos líquidos, que dependem do oxigênio para sintetizar <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Esterol">esterois</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ácido_graxo">ácidos graxos</a>, que são fundamentais nos estágios iniciais da fermentação, porque os fermentos secos já têm quantidades suficientes desses elementos (veja, por exemplo, a pergunta sobre aeração no <a href="http://www.danstaryeast.com/frequently-asked-questions">FAQ da Danstar</a>).</p>
<p>Os autores então sugerem fazer quatro fermentações de teste com 1,5L de mosto cada, aerando cada um até chegar em, respectivamente, 0, 2, 5 e 10ppm (partes por milhão) de oxigênio dissolvido no mosto. É claro que para fazer esse teste direito é necessário um medidor de oxigênio dissolvido, ilustrando o nível de elaboração dos testes sugeridos pelo livro. O teste então consiste em medir a gravidade a cada 24h durante sete dias. Em particular, observa-se qual dos fermentadores está mais perto de ter atenuado, após 48h, 50% da máxima atenuação possível. Veja bem, não é para alcançar 50% de atenuação aparente. É necessário saber qual o limite de atenuação (ou assumindo que o de 10ppm atenua tudo ou fazendo o que eles chamam de teste de atenuação limite, fermentando um outro mosto a 27C com aeração constante) e calcular quanto que atenuou até aquele momento em relação à atenuação máxima. Isso é o que chamo abaixo de atenuação relativa (por exemplo, se ao final da fermentação a atenuação foi de 76%, então 50% de atenuação relativa equivale a 50%x78%=38% de atenuação aparente). Caso seja o de 2ppm, o fermento tem baixa demanda, caso seja o de 5ppm, o fermento tem média demanda e caso seja o de 10ppm, o fermento tem alta demanda.</p>
<p>Como não vou usar um medidor de oxigênio dissolvido, o máximo que posso fazer é medir a gravidade depois de 48h, checar se a atenuação relativa está em 50% e deduzir se a minha aeração está adequada ou não. Caso a atenuação esteja próxima de 50%, ótimo, caso esteja acima, estou aerando demais para o tipo de fermento, e caso esteja abaixo, estou aerando de menos.</p>
<p>Fiz o teste em uma <a href="http://www.bjcp.org/2008styles/style16.php#1c">saison</a>, a minha leva mais recente. Comecei a fermentação em torno de 20C e fui aumentando aos poucos ao longo da semana até chegar em 25C. Alguns fermentos específicos para Saison atenuam por volta de 90% e podem ser mais lentos do que o normal, sendo um pouco complicado aplicar esse teste a esses fermentos. Mas o fermento que usei foi o <a href="http://www.whitelabs.com/beer/strains_wlp530.html">Belgian Abbey</a>, da White Labs, que se comportou de maneira &#8220;padrão&#8221;. O mosto foi feito pra ficar bem fermentável, para uma cerveja mais seca, como pede o estilo.</p>
<p>Medi a gravidade em vários momentos:</p>
<table width="98%" border="" cellpadding="2">
<tbody>
<tr>
<th>TempoGravidade específicaAtenuação aparenteAtenuação relativa</th>
<th>0h1.0560%0%</th>
<th>24h1.04323,2%28,9%</th>
<th>54h1.03144,6%55,6%</th>
<th>72h1.02751,8%64,4%</th>
<th>96h1.02162,5%77,8%</th>
<th>122h1.01475%93,3%</th>
<th>143h1.01376,8%95,6%</th>
<th>162h1.01180,4%100%</th>
<th>190h1.01180,4%100%</th>
<th>228h1.01180,4%100%</th>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>&nbsp;</p>
<p>Abaixo um gráfico com a evolução da gravidade específica (clicar na imagem para maior definição):</p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2011/04/27/teste-simples-de-aeracao/gravidade-especifica-x-hora-saison/"><img class="alignnone size-medium wp-image-300" title="gravidade específica x hora (Saison)" src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2011/04/gravidadeversustempo_saison1.png" alt="gravidade específica x hora (Saison)" width="600" height="451" /></a></p>
<p>Assumindo que 80,4% é a atenuação aparente máxima, então 50% disso nos dá 40,2% de atenuação aparente.</p>
<p>Perdi a hora e não fiz a medição com 48h, mas uma interpolação linear simples entre as medições a 24h e 54h nos dá que após 48h a atenuação relativa seria de aproximadamente 50,26% (i.e. 40,4% de atenuação aparente), o que está excelente.</p>
<p>Aliás, devo dizer que a minha aeração é com bomba de aquário. Costumo aerar em torno de 30min cada 20L de mosto com gravidade original normal, aumentando o tempo para mostos com gravidades mais altas. Essa cerveja, no entanto, que tem uma gravidade original normal, acabei aerando um pouco mais do que o costume, deixando por 45min. Mas com esse tipo de aeração acho meio difícil de oxigenar demais.</p>
<p>É claro que é necessário fazer vários outros testes, mudando o tempo de aeração e a gravidade do mosto para ter uma clareza maior sobre essa questão, mas já fiquei feliz com o resultado desse teste em particular.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2011/04/27/teste-simples-de-aeracao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Que tal um saquê para variar!?</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Dec 2010 22:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.cervejarte.org/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/</guid>
		<description><![CDATA[Não sei se muitos de vocês sabem, mas a produção de saquê tem várias semelhanças com a de cerveja, sendo também um fermentado a partir de um certo tipo de grão, no caso o arroz. O arroz fornece o amido, &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se muitos de vocês sabem, mas a produção de saquê tem várias semelhanças com a de cerveja, sendo também um fermentado a partir de um certo tipo de grão, no caso o arroz. </p>
<p>O arroz fornece o amido, que é quebrado em açúcares e que alimentam o fermento, que, por sua vez, produz álcool e gás carbônico, além de aromas e sabores típicos da bebida, é claro.</p>
<p>Algumas diferenças são que o arroz não é malteado e não há enzimas no arroz que efetuem a quebra do amido em açúcares. Essa quebra é feita por enzimas produzidas por outro fungo, o <em>koji-kin</em> (ou <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Aspergillus_oryzae">aspergillus oryzae</a>, pelo nome científico), que é um dos ingredientes fundamentais na produção de saquê. O koji-kin é adicionado na forma de um mofo, preservado em um pouco de arroz. Esse arroz mofado é chamado de <em>kome-koji</em>, ou apenas <em>koji</em> para simplificar. </p>
<p>Já a conversão de açúcar em álcool é também feita por um fermento da espécie <em>Saccharomyces cerevisiae</em> e há algumas poucas cepas de fermento produzindo aromas e sabores ligeiramente diferentes. Mas aí aparece uma outra pequena diferença na produção: a conversão do amido em açúcares e a fermentação ocorrem simultaneamente, ao invés de em etapas separadas. No caso do saquê, o arroz não é lavado como é feito como o malte após a brassagem. Há um processo inicial de sacarificação, com o arroz adicionado de koji-kin, por várias horas, a uma temperatura em torno de 37-38C (ou por dois dias, a 23C) e em seguida o arroz segue junto com o caldo adocicado para a fermentação, que dura algumas semanas, em temperaturas mais baixas (20-22C). E, para um saquê de qualidade superior, o arroz normalmente não é adicionado todo de uma vez, ele entra, geralmente, em três etapas, ao longo dos primeiros dias de fabricação. Essa mistura fermentável na qual o fermento age para produzir o saquê leva o nome de <em>Momori</em>.</p>
<p>Outra diferença é que não há lúpulo nem qualquer outra espécie de erva amarga para balancear o açúcar residual. Há, na verdade, pouco açúcar residual, e o saquê é, apenas, ligeiramente doce. O fermento de saquê é capaz de produzir álcool até uma concentração de uns 20% de álcool por volume, com valores típicos na faixa 14-20% v/v. </p>
<p>Normalmente adiciona-se também ácido lático (ou ácido cítrico, entre outros) para reduzir o pH, acelerar o processo e diminuir a possibilidade de contaminação (como mencionado acima, nesse método faz-se a sacarificação inicial em torno de 37-38C, caso contrário faz-se a sacarificação em torno de 23C por 48h, no método chamado de <em>kan-zukuri</em>, e um tanto de ácido lático é produzido naturalmente). </p>
<p>Diferentes tipos de arroz podem ser usados, tipicamente dos curtos e polidos. O arroz deve ser cozido antes, e aparentemente é bem melhor que o arroz seja cozido a vapor (como nas máquinas próprias para a fazer arroz), para que o fungo cresça de maneira mais apropriada e também para que seja mais fácil mexer o arroz (no vapor ele fica mais seco e menos embolotado). </p>
<p>Bom, essas são as idéias gerais. Uma página, em inglês, com informações detalhadas sobre a produção caseira de saquê é <a href="http://www.taylor-madeak.org">Taylor-MadeAK &#8211; Brewing Sake</a>. Há também várias informações sobre saquê, em geral, na página <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sake">Wikipedia &#8211; Sake</a>. Vamos agora à experiência. </p>
<p>Ela se deve, em parte, ao Pete Slosberg, que na última vinda ao Brasil se ofereceu para trazer algo de cerveja pra mim. Mas, para mudar um pouco, resolvi pedir insumos para fazer saquê, que já vinha paquerando há um certo tempo.</p>
<p>O Pete trouxe duas coisas, compradas na <a href="http://morebeer.com/">MoreBeer</a>: um <a href="http://morebeer.com/view_product/6004//Sake_Kit">kit de saquê</a> completo e um pacote apenas com <a href="http://morebeer.com/view_product/8391/102379/Koji-Kin_Bacteria_-_100g">kome-koji</a> (diz lá que é bactéria mas na verdade é um fungo). Na minha última viagem resolvi trazer também fermento específico para saquê. Tanto a <a href="http://www.whitelabs.com">White Labs</a> como a <a href="http://www.wyeastlab.com">Wyeast</a> comercializam um fermento de saquê e acabei comprando um de cada laboratório, o <a href="http://www.midwestsupplies.com/wyeast-4134-sake-9.html">Wyeast 4134 Sake #9</a> na <a href="http://www.midwestsupplies.com">Midwest Supplies</a> e o <a href="http://www.northernbrewer.com/default/wl-sake-yeast.html">White Labs WLP705 Sake</a>.</p>
<p>Com o pacote de kome-koji separado e com o fermento, é possível, acrescentando-se a quantidade adequada de arroz, fazer uns 20L de saquê. Já o kit da Morebeer vem com um pacote completo para fazer aproximadamente um litro de saquê. No pacote já vem misturado arroz cozido, koji-kin, ácido lático, sais minerais e fermento seco. Como a sacarificação ocorre a apenas 37-38C e não há fervura, não há problema no fermento vir junto com o restante.</p>
<p>Para começar, resolvi, junto com a Duda (Eduarda Dardeau), tentar primeiro o kit e deixar o pacote de kome-koji e os fermentos extras para fabricações futuras. </p>
<p>O processo é bastante simples com o kit, que vem em um pacote cuja foto segue abaixo.<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/kit-de-saque/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2699_348_blog1.jpg" alt="Kit de saquê" title="Kit de saquê" width="449" height="600" class="alignnone size-medium wp-image-297" /></a></p>
<p>Seguindo as instruções, colocamos o conteúdo do kit em 1,5L de água a 38C. </p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/despejando-o-kit-de-saque/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2703_352_blog1.jpg" alt="Despejando o kit de saquê" title="Despejando o kit de saquê" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-296" /></a></p>
<p>Como dito acima, o kit já vem completo, inclusive com o fermento seco, que pode ser visto boiando na foto abaixo. </p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/fermento-flutuando/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2705_354_blog1.jpg" alt="Fermento flutuando" title="Fermento flutuando" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-295" /></a></p>
<p>Passamos a mistura para uma jarra e a mantivemos em uma espécie de banho maria a 38C em um caldeirão grande para manter a temperatura por mais tempo, aquecendo-a quando necessário. Como havia bastante água no caldeirão e a temperatura desejada não é tão alta, tivemos que aquecer a água poucas vezes ao longo das 5 horas necessárias.</p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/mostura/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2709_358_blog1.jpg" alt="Mostura" title="Mostura" width="400" height="533" class="alignnone size-medium wp-image-294" /></a></p>
<p>Depois passamos a jarra para a geladeira de fermentação, a 20C. </p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/fermentando/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2726_375_blog1.jpg" alt="Fermentando" title="Fermentando" width="400" height="533" class="alignnone size-medium wp-image-293" /></a></p>
<p>Conforme o recomendado, mexíamos o Momori uma vez a cada dia, com uma haste de metal que foi devidamente sanitizada da primeira vez e depois mantida sempre na jarra, tampada com papel alumínio. </p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/mexendo-o-saque-durante-a-fermentacao/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2732_381_blog1.jpg" alt="Mexendo o saque durante a fermentação" title="Mexendo o saque durante a fermentação" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-292" /></a></p>
<p>Depois de três semanas de fermentação (o kit fala em algo entre duas e três semanas), estava pronto o <em>Doburoku</em>, ou &#8220;saquê com arroz&#8221;, que era aparentemente o método tradicional de se tomar saquê, comendo junto a papa de arroz. Para fazer o saquê sem o arroz, coamos o Doburoku, passando o líquido para uma outra jarra e jogando fora a papa de arroz. Não foi fácil coar, o líquido era muito espesso, mas com um pouco de paciência, conseguimos.</p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/filtrando/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2860_489_blog1.jpg" alt="Filtrando" title="Filtrando" width="400" height="533" class="alignnone size-medium wp-image-290" /></a></p>
<p>Antes de coar, tiramos com cuidado um pouco do saquê que tinha decantado para provar e o gosto estava bom. Um pouco mais frutado que os saquês que conheço, mas parecia promissor. Mas provamos também o saquê empapado de arroz e o gosto era,  digamos assim, forte e um tanto estranho.</p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/saque-apos-a-fermentacao/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2843_472_blog1.jpg" alt="Saquê após a fermentação" title="Saquê após a fermentação" width="400" height="600" class="alignnone size-medium wp-image-291" /></a></p>
<p>Deixamos então decantando por mais uns dez dias.</p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/decantando/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2861_490_blog1.jpg" alt="Decantando" title="Decantando" width="400" height="533" class="alignnone size-medium wp-image-289" /></a></p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/saque-decantado/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/12/DSCN2884_513_blog1.jpg" alt="Saquê decantado" title="Saquê decantado" width="400" height="600" class="alignnone size-medium wp-image-298" /></a></p>
<p>E em seguida engarrafamos o saquê em duas garrafas de água mineral de vidro, totalizando 1L. </p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/engarrafando-2/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/12/DSCN2887_516_blog1.jpg" alt="Engarrafando" title="Engarrafando" width="400" height="600" class="alignnone size-medium wp-image-299" /></a></p>
<p>Provamos novamente e ainda estava um tanto frutado, mas achei saboroso. A Duda nem tanto&#8230; A recomendação agora é aguardar algumas semanas de maturação e pronto! Kampai!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2010/12/08/que-tal-um-saque-para-variar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Acabamento de cera e a reedição de A Inveja de Baco</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Nov 2010 20:43:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cerveja]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.cervejarte.org/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/</guid>
		<description><![CDATA[Pensando um pouco menos no aspecto técnico e um pouco mais no artístico, resolvi trazer, da minha última viagem, uma cera especial para dar um acabamento mais refinado às garrafas. A cera que trouxe é essa Bottle Seal Wax Beads, &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pensando um pouco menos no aspecto técnico e um pouco mais no artístico, resolvi trazer, da minha última viagem, uma cera especial para dar um acabamento mais refinado às garrafas. A cera que trouxe é essa <a href="http://www.midwestsupplies.com/bottle-seal-wax-beads-burgundy.html">Bottle Seal Wax Beads</a>, na cor &#8220;Burgundy&#8221;.<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/bottle-seal-wax-beads/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2290_031small_11.jpg" alt="Bottle Seal Wax Beads" title="Bottle Seal Wax Beads" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-284" /></a></p>
<p>Como teste, usei nada menos do que uma reedição da famosa e premiada <a href="http://blog.cervejarte.org/2007/03/07/barley-wine-a-inveja-de-baco/">A Inveja de Baco</a> (Primeiro lugar na categoria &#8220;Strong Ales&#8221; no concurso <a href="http://www.brewerscup.org/2007-hb-winners.html">2007 Brewer&#8217;s Cup</a>, Indiana State Fair, Indiana, EUA, e primeiro lugar no Estilo Livre do II Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, promovido pela <a href="http://www.acervacarioca.com.br">ACervA Carioca</a>, também em 2007). </p>
<p>Fiz o teste com a ajuda da Duda (Eduarda Dardeau &#8211; <a href="http://femalecarioca.blogspot.com/">Female Carioca</a>). Derretemos um punhado da cera em um pequena forma e mergulhamos cuidadosamente a garrafa na cera. A cera não pode estar nem muito quente (senão a capa de cera fica muito rala) nem muito fria. O que fizemos com sucesso foi retirar do fogo e aguardar alguns segundos antes de mergulhar a garrafa e depois giramos um pouco a garrafa para a cera grudar uniformemente (ou quase) na tampa e na ponta da garrafa. </p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/mergulhando-a-garrafa-na-cera/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2282_025Bsmall1.jpg" alt="Mergulhando a garrafa na cera" title="Mergulhando a garrafa na cera" width="400" height="267" class="alignnone size-medium wp-image-285" /></a></p>
<p>Fizemos isso com umas 18 garrafas, que foi o que sobrou da leva feita em abril deste ano. A cera parece um tanto emborrachada, meio elástica, o que é muito bacana; não é tão quebradiça como outras que vi. Pelo menos por enquanto. Pode ser que fique quebradiça com o tempo. Veremos.</p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/garrafas-de-a-inveja-de-baco-com-a-cera/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2286_028Bsmall1.jpg" alt="Garrafas de A Inveja de Baco com a cera" title="Garrafas de A Inveja de Baco com a cera" width="400" height="267" class="alignnone size-medium wp-image-286" /></a></p>
<p>Da próxima vez acho que vou procurar um recipiente um pouco mais profundo para a cera cobrir um pouco mais a garrafa, mas assim já ficou muito bacana. Há várias <a href="http://www.midwestsupplies.com/catalogsearch/result/?q=bottle+seal+wax+beads&#038;x=0&#038;y=0">outras cores de cera</a>, mas escolhi essa porque é bastante apropriada para uma cerveja estilo &#8220;barley wine&#8221;. Agora que vi que deu certo, posso procurar outras cores para outros tipos de cerveja. </p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/exibindo-as-garrafas/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/DSCN2289_030Bsmall1.jpg" alt="Exibindo as garrafas" title="Exibindo as garrafas" width="400" height="600" class="alignnone size-medium wp-image-287" /></a></p>
<p>É a primeira vez que tento refazer essa cerveja. Acho que tinha receio de errar a mão e ela perder o charme. Mas fiquei feliz de tentar de novo. Mudei um pouco a receita, diminuindo a variedade de maltes e acrescentando acúcar, e, além disso, a panela de brassagem ficou muito cheia e o mosto acabou ficando muito &#8220;grosso&#8221;, com pouca água para muito malte. Isso fez com que o mosto ficasse menos fermentável. O resultado foi uma cerveja menos seca que a original. Também ficou com menos teor alcoólico (9,2% ao invés de 10%) e um pouco menos complexa, mas ainda assim deliciosa. Já pretendo refazê-la novamente em breve já que a reedição ficou tão gostosa e fez muito sucesso e já está quase no fim.</p>
<p>Para caprichar, também fiz um novo rótulo:</p>
<p><a href="http://cervejarte.org/blog/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/rotulo-a-inveja-de-baco-2/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/11/rotulo_ainvejadebaco_med1.png" alt="Rótulo A Inveja de Baco" title="Rótulo A Inveja de Baco" width="524" height="600" class="alignnone size-medium wp-image-288" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2010/11/05/acabamento-de-cera-e-a-reedicao-de-a-inveja-de-baco/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lótus India Black Ale e Lupulagem de Primeiro Mosto (First Wort Hopping)</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2010/08/03/lotus-india-black-ale-e-lupulagem-de-primeiro-mosto-first-wort-hopping/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2010/08/03/lotus-india-black-ale-e-lupulagem-de-primeiro-mosto-first-wort-hopping/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 01:12:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[Levas]]></category>
		<category><![CDATA[Técnicas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.cervejarte.org/2010/08/04/lotus-india-black-ale-e-lupulagem-de-primeiro-mosto-first-wort-hopping/</guid>
		<description><![CDATA[Motivado pela última edição (Vol. 33, no. 4, July/August 2010) da Zymurgy, uma revista bimensal da AHA &#8211; American Homebrewers Association (disponível para sócios perante uma anuidade de US$44 fora dos EUA &#8212; US$112 por três anos), que trás uma &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2010/08/03/lotus-india-black-ale-e-lupulagem-de-primeiro-mosto-first-wort-hopping/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Motivado pela última edição (Vol. 33, no. 4, July/August 2010) da <a href="http://www.homebrewersassociation.org/pages/zymurgy/current-issue">Zymurgy</a>, uma revista bimensal da <a href="http://www.homebrewersassociation.org/">AHA &#8211; American Homebrewers Association</a> (disponível para sócios perante uma anuidade de US$44 fora dos EUA &#8212; US$112 por três anos), que trás uma discussão do nascente estilo <em>India Black Ale (IBA)</em>, resolvi refazer a <a href="http://blog.cervejarte.org/2009/10/05/lotus-a-primeira-india-black-ale-do-brasil/">Lótus</a>, a minha versão desse estilo. </p>
<p>Esse estilo já aparece classificado no <a href="http://www.brewersassociation.org/pages/publications/beer-style-guidelines">Guia de Estilos 2010</a> da <a href="http://www.brewersassociation.org/">Brewers Association,</a> associado principalmente a cervejas comerciais. Os seus parâmetros são os seguintes.</p>
<p><strong>Parâmetros da India Black IPA segundo o Guia de Estilos 2010 da Brewers Association:</strong></p>
<ul>
<li><strong>Gravidade original:</strong> 1.056-1.075 g.e.</li>
<li><strong>Gravidade final:</strong> 1.012-1.018 g.e.</li>
<li><strong>Conteúdo alcoólico:</strong> 6-7,5% ABV</li>
<li><strong>Amargor:</strong> 35-60 IBU</li>
<li><strong>Cor:</strong> 50-98 EBC</li>
</ul>
<p>Esse estilo ainda não aparece classificado pelo <a href="http://www.bjcp.org">BJCP &#8211; Beer Judge Certification Program</a>, cuja última versão data de 2008. A expectativa é que a próxima versão do BJCP já contenha uma definição desse estilo. </p>
<p>A última edição da Zymurgy trouxe duas receitas de India Black Ale, em um artigo de Ted Hausotter, cervejeiro caseiro do Oregon e representante regional do BJCP. Uma delas está bem dentro dos parâmetros acima mas a outra foge um pouco, com uma gravidade original de 1.076 e IBU de 94! O artigo também inclui uma sugestão de parâmetros, mas com a ressalva de que esse é um estilo em evolução e ainda não há um consenso sobre quais serão os parâmetros definidos pelo BJCP. Ele também menciona que, em competições, no momento, é melhor inscrever uma tal cerveja na categoria <a href="http://www.bjcp.org/2008styles/style23.php">23 Specialty Beer.</a> Os parâmetros sugeridos pelo autor são os seguintes.</p>
<p><strong>Parâmetros da India Black IPA segundo sugestão do artigo da Zymurgy:</strong></p>
<ul>
<li><strong>Gravidade original:</strong> 1.060-1.075 g.e.</li>
<li><strong>Gravidade final:</strong> 1.008-1.016 g.e.</li>
<li><strong>Conteúdo alcoólico:</strong> não informado</li>
<li><strong>Amargor:</strong> 60-90 IBU</li>
<li><strong>Cor:</strong> 59-79 EBC</li>
</ul>
<p>Note a diferença no amargor entre as duas definições!</p>
<p>A revista traz um breve relato histórico do desenrolar do estilo, citando uma primeira cerveja, com características próximas de uma India Black Ale, de nome <em>Blackwatch IPA</em> fabricada por Greg Noonan, cervejeiro da <a href="http://www.vermontbrewery.com/">Vermont Pub and Brewery,</a> na costa leste dos Estados Unidos, em 1990. O artigo conta que o estilo começou então a tomar forma na década de 2000 e o chama, na verdade, pelo nome alternativo de <em>Cascadian Dark Ale,</em> como um estilo emergindo na região noroeste dos EUA, na costa do Pacífico, na terra dos lúpulos cítricos. O termo <em>Cascadian</em> se refere à região da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cordilheira_das_Cascatas">Cordilheira das Cascatas</a> (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cascade_Range">Cascade Range</a> em inglês), onde esses lúpulos são cultivados.  </p>
<p>O estilo é descrito como uma bomba de lúpulos, que funciona melhor com lúpulos cítricos (Cascade, Columbus, Simcoe, Centennial, Amarillo e Chinook), que hamornizam perfeitamente com os maltes escuros. São tão lupuladas quanto as IPAs, mas com o torrado do malte mais presente no final do sabor. O corpo e o torrado são mais leves que em uma stout ou porter mas mais presentes que em uma schwarzbier alemã.</p>
<p>Interessante que o artigo cita que o caráter cítrico desses lúpulos muda com a presença dos maltes torrados, os afastando do toranja <em>(grapefruit)</em> e os aproximando da laranja e da tangerina. Menta e alecrim <em>(rosemary)</em>, raros em IPAs, também emergem desses lúpulos com a presença do malte torrado.</p>
<p>O artigo cita <em>dry hopping</em> como quase sempre necessário para a o estilo. Também enaltece as vantagens do malte torrado carafa especial, sem casca, para diminuir a adstringência. Um pouco de malte caramelo também é normalmente utilizado.  Uma mostura entre 65-66C é típica, favorecendo um mosto mais fermentável e uma atenuação maior. </p>
<p>Mas na verdade queria modificar a minha receita anterior e não queria fazer uma cerveja exatamente nos parâmetros do artigo da Zymurgy. Queria uma cerveja um pouco mais leve, mais seca e com menos corpo. Seria uma base mais para Dry Stout, mas mantendo a lupulagem de aroma e sabor de uma IPA. Estaria mais na parte inferior dos parâmetros da Brewers Association.</p>
<p>Por isso o meu plano foi almejar uma OG de 1.056 e uma atenuação bem alta, de 78%, para obter uma FG de 1.012 e ABV de 5,7%. Não coloquei malte caramelo e ainda coloquei um pouco de açúcar (4% em peso) e fiz a sacarificação inicialmente a 66C, deixando a temperatura baixar com o tempo (terminou em 62C após 90min).</p>
<p>Em parte por não ter o carafa especial e por querer evitar a rascante do malte <em>black</em> (carafa III), usei ainda uma combinação de partes iguais de malte chocolate e cevada torrada (3% cada). O amargor desejado era de 42 IBU, com um equilíbrio de BU:GU=42/56=0,75. Mas com muito lúpulo no final da fervura de aroma e sabor e também em dry-hopping. Note que esses parâmetros ainda estão dentro da definição de uma India Black Ale pelo Brewers Association, exceto talvez pelo teor alcoólico. (Mas nesse ponto note uma pequena inconsistência, pois se a OG for de 1.056 e a FG for a mínima possível, de 1.012, o teor alcoólico &#8211; pela fórmula clássica mais precisa &#8211; será de uns 5,7 ou 5,8%, portanto abaixo do mínimo de 6% indicado para o estilo; ou seja, se eles permitem uma OG tão baixa quanto 1.056, deveriam permitir um teor alcoólico mais baixo também.) </p>
<p>E para variar mais um pouco, resolvi experimentar pela primeira vez esse método de lupulagem chamado em inglês de <em>First Wort Hopping</em>, cuja tradução literal talvez seja algo como &#8220;lupulagem de primeiro mosto&#8221;.</p>
<p>Esse método de lupulagem consiste em adicionar parte do lúpulo durante a lavagem, antes da fervura. O lúpulo é adicionado na panela de fervura, quando ela começa a receber a parte inicial do mosto da lavagem (o primeiro mosto!). Nesse momento os óleos essenciais dos lúpulos, responsáveis pelos seus sabores e aromas e que são tão voláteis e facilmente expelidos durante a fervura normal, sofrem processos físico-químicos que o tornam menos voláteis. Com isso, a contribuição para o aroma e, principalmente, o sabor desses lúpulos é maior. Por outro lado, esses lúpulos ficam na fervura o tempo todo e a conversão dos alfa-ácidos em iso-alfa-ácidos ocorre como em lúpulos adicionados no início da fervura, ou até um pouco mais, segundo alguns estudos. Em algumas análises sensoriais, aparentemente o amargor gerado dessa maneira é mais suave e agradável, também. </p>
<p>Esse método aparentemente teve origem na Alemanha e vem sendo utilizado principalmente em cervejas do estilo pílsen e com lúpulos nobres, de alfa-ácido bem baixo. Parte da lupulagem do final da fervura é transferida para antes da fervura, algo em torno de 30%. Não encontrei muitos estudos feitos com lúpulos de alfa-ácidos altos e cervejas de outros estilos, mas há vários relatos mais recentes de sucesso em diversos outros estilos onde lúpulos são proeminentes. Imagino que em Bitters e IPAs o método caia muito bem. E como o amargor gerado com essa lupulagem é supostamente mais suave isso deve cair bem para não potencializar o rascante dos grãos torrados de uma IBA.</p>
<p>O artigo <a href="http://brewery.org/library/1stwort.html">First Wort Hopping</a>, de 1997, contém um resumo de um artigo fundamental publicado em 1995 sobre essa técnica de lupulagem. O artigo original pode ser encontrado <a href="http://www.franklinbrew.org/brewinfo/brauweltfwh.html">aqui</a>.</p>
<p>Na minha versão, fiz uma fervura de 90min com 63L iniciais, terminando com 52L e colocando 46L para fermentar. Coloquei 40g de Cascase antes da fervura, depois 50g de Cluster (7%) a 60min, mais 40g de Cascade (5,5%) a 21min, mais 40g de Cascade (5,5%) a 14min, mais 60g de Cascade (5,5%) a 7min, e ainda vou colocar mais 70g de Cascade (5,5%) de dry-hopping. Talvez haja relativamente pouco lúpulo de primeiro mosto nessa receita para fazer muita diferença, mas como primeira tentativa e como não queria errar muito a mão nessa receita, achei melhor assim. Acho que na próxima versão tomo coragem e elimino a lupulagem de 60min, aumentando o Cascade de primeiro mosto e mantendo as outras lupulagens de final de fervura e dry-hopping.</p>
<p>Na foto abaixo, o mosto do início da lavagem, com os primeiros 40g de Cascade.<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/08/03/lotus-india-black-ale-e-lupulagem-de-primeiro-mosto-first-wort-hopping/lupulagem-de-primeiro-mosto/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/08/DSC_6462small1.jpg" alt="Lupulagem de primeiro mosto" title="Lupulagem de primeiro mosto" width="600" height="398" class="alignnone size-medium wp-image-280" /></a></p>
<p>A eficiência foi mais alta que a esperada e aí, com alguns ajustes de última hora, os parâmetros ficaram um pouco diferentes do desejado: FG de 1.058  e IBU de 42, com BU:GU=0,72. A cor calculada pelo Beer Tools foi de 45 EBCs, mas na verdade isso parece muito claro para a cor do mosto. A cor calculada pela fórmula do Randy Mosher no livro <a href="http://www.amazon.com/Brewers-Companion-Randy-Mosher/dp/0964041014">The Brewers Companion</a> é de 51 EBC, o que é um pouco mais próximo do que parece ser certo. </p>
<p>O resultado? Só daqui a algumas semanas depois que o fermento acabar de trabalhar&#8230;</p>
<p>[<strong>Editado posteriormente:</strong> vejam alguns comentários muito relevantes e interessantes abaixo!]<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/08/03/lotus-india-black-ale-e-lupulagem-de-primeiro-mosto-first-wort-hopping/lotus-fermentando/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/08/DSC_6465small1.jpg" alt="Lótus fermentando" title="Lótus fermentando" width="399" height="600" class="alignnone size-medium wp-image-283" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2010/08/03/lotus-india-black-ale-e-lupulagem-de-primeiro-mosto-first-wort-hopping/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>17</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>I Concurso Paulista de Cerveja Caseira e Festival de Inverno da Acerva Paulista</title>
		<link>http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/</link>
		<comments>http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 09:47:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.cervejarte.org/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/</guid>
		<description><![CDATA[A maioria dos meus artigos é sobre alguma coisa técnica de cerveja mas nem todos. E hoje abro nova exceção para escrever um pouquinho sobre esse maravilhoso final de semana que passou. Não há muito o que acrescentar, já há &#8230; <a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A maioria dos meus artigos é sobre alguma coisa técnica de cerveja mas nem todos. E hoje abro nova exceção para escrever um pouquinho sobre esse maravilhoso final de semana que passou. </p>
<p>Não há muito o que acrescentar, já há várias notícias e artigos sobre o concurso e o festival, que foram de grande sucesso. Mas não poderia deixar de registrar aqui, também, que o concurso e festival de inverno foram muuuuito bacanas e dar os meus devidos parabéns e agradecimentos.</p>
<p>Parabenizo, em primeiro lugar, o Alexandre e a Janaína, pelo concurso e pela grande festa que fizeram no ambiente mais que apropriado de sua microcervejaria, a <a href="http://www.cervejariabamberg.com.br/">Cervejaria Bamberg</a>, de Votorantim. Agradeço pela oportunidade de avaliar as cervejas do concurso, que foi uma grata experiência. E agradeço, principalmente, pela homenagem carinhosa que fizeram a mim, ao <a href="http://blog.bottobier.com.br/">Botto</a> e ao <a href="http://www.confrariadomarques.com.br/">Mauro</a>, nos agraciando com a primeira edição do <a href="http://cervejariabamberg.blogspot.com/2010/07/aos-vencedores-os-premios.html">Prêmio Wilhelm IV</a>, pelos &#8220;serviços prestados à Cultura Cervejeira do Brasil!&#8221;</p>
<p>Eu devia ter desconfiado! No início do ano passado, o Alexandre nos convidou dizendo que seria muito legal juntar nós três como jurados&#8230; E o bacana é que, como o Mauro observou, nós três estávamos juntos, por coincidência, quando o Alexandre anunciou o prêmio.</p>
<p>A homenagem foi inesperada e nos deixou visivelmente emocionados.<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/mauro-botto-e-eu-na-hora-do-anuncio-do-premio/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC01087small_11.jpg" alt="Mauro, Botto e Eu, na hora do anúncio do prêmio" title="Mauro, Botto e Eu, na hora do anúncio do prêmio" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-271" /></a><br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/recebendo-o-premio/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC01092small1.jpg" alt="Recebendo o prêmio" title="Recebendo o prêmio" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-272" /></a><br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/exibindo-o-premio/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC01094small1.jpg" alt="Exibindo o prêmio" title="Exibindo o prêmio" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-273" /></a></p>
<p>Parabenizo, também, a<a href="http://www.acervapaulista.com.br/"> ACervA Paulista</a>, pela iniciativa em organizar o concurso e o festival em conjunto com a Bamberg e pela organização de primeira classe que fizeram do Festival. Foi uma festa impecável, onde nada saiu errado. Como a festa começou cedo, não houve avanço no buffet, e a comida foi servida sem problemas e ao longo da festa toda. A cerveja foi farta e de ótima qualidade. O espaço foi amplo e agradável.</p>
<p>Aquela primeira visão da fileira de costelas foi impressionante.<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/costelas/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC01064small1.jpg" alt="Costelas!!!" title="Costelas!!!" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-270" /></a></p>
<p>E depois a parede de chopeiras foi de deixar babando, e que o Mauro começou fazendo as honras.<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/mauro-e-as-chopeiras/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC00104small1.jpg" alt="Mauro e as chopeiras" title="Mauro e as chopeiras" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-274" /></a></p>
<p>Provei, de fato, todas as cervejas caseiras servidas nas chopeiras. Isso foi motivado pela fichinha que eles nos deram, onde uma das perguntas era sobre as três melhores cervejas na nossa opinião. Aí só provando, né!? Cravei uma Belgian Strong Dark Ale em primeiro, que esqueci de quem era. Ouvi outros elogiando essa também. Aliás, o nível das cervejas estava excelente!</p>
<p>Tinham três American IPAs muito boas (uma delas a segunda colocada no concurso e outra do pessoal do <a href="http://www.lamasbier.com.br/">Lamas Bier</a>), uma Dry Stout clássica do Alex da Ros, a Oatmeal Stout de primeira da Tati, uma Irish Red deliciosa também do pessoal do Lamas, uma Belgian Specialty Ale interessante do Renato de Mogi (que ele chamou de Tripel, e que tinha anis, cravo e outras coisas, bem interessante), uma Barley Wine com favas de baunilha e maturada em carvalho do Philip, e muitas outras que já não lembro mais. Tinha uma lista bacana de todas as cervejas rolando na festa que seria legal postar em algum blog. </p>
<p>Esse &#8220;exercício&#8221; de escolher a melhor serviu para tirar uma dúvida que tinha, sobre a avaliação do estilo livre. Posso dizer que nem foi tão difícil escolher a minha preferida. Por um lado, certamente é difícil fazer uma escolha &#8220;de acordo com o estilo&#8221;. Seria muito difícil eu escolher a Irish Red ou a Dry Stout por mais fiéis que elas estivessem aos estilos e por mais que elas tivessem mais <em>drinkability</em> e eu passasse mais tempo bebendo delas. Certamente uma cerveja com mais, digamos assim, personalidade leva mais vantagem nessa avaliação. Por outro lado, dentre várias cervejas de personalidade, como a Belgian Specialty Ale, a Barley Wine com baunilha e maturada em carvalho, as IPAs e Oatmeal ou Imperial Stouts e a Belgian Dark Strong Ale, é possível sim fazer uma escolha sem muitas dificuldades. Para mim, a Belgian Strong Dark Ale foi a que superou as outras em termos de equilíbrio e complexidade, tanto de aromas como de sabores, e foi a que eu escolhi, mesmo não sendo, no momento, um dos meus estilos favoritos de cerveja. </p>
<p>Eu que inicialmente sempre fui defensor do estilo livre, andei um tanto em dúvida, mas agora volto a ficar animado com ele. Não sei bem a melhor maneira de avaliá-lo, mas um dia chegaremos lá. Acho que eu sempre achei difícil a minha, ou alguma cerveja de algum amigo ou amiga, ganhar, mas dessa vez que eu estava julgando e que estava isento e não conhecia nenhuma cerveja de antemão, as coisas se revelaram com mais clareza na minha frente. E, como em qualquer concurso, a &#8220;melhor&#8221; cerveja é um conceito um tanto fictício e o que importa é que a cerveja escolhida como a melhor é, no mínimo, uma excelente cerveja e certamente uma das melhores por qualquer critério objetivo, então bola pra frente. O que importa é incentivar a cultura cervejeira.</p>
<p>Uma coisa que achei um barato no festival é que tinha um clima dos encontros de cerveja que fui nos EUA, com aquele dia ensolarado, a tenda armada em algum lugar ao lado de fora, as várias chopeiras a gelo, e muita gente em volta se divertindo. A única coisa diferente era o som alto; lá o som costuma ser um pouco mais baixo e a conversa flui um pouco mais fácil. Mas é só questão de gosto. Curtimos muito.<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/mauro-eu-lu-e-duda/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC00118small1.jpg" alt="Mauro, eu, Lu e Duda" title="Mauro, eu, Lu e Duda" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-278" /></a></p>
<p>A festa rolou com muito alto astral, muita amizade, muita democracia, muito espírito de união e definitivamente sem fins lucrativos. É com muito prazer que vejo a ACervA Paulista seguindo esses preceitos tão fundamentais para o crescimento da cultura cervejeira! E é por isso que essa cultura está crescendo a passos largos nesse estado. Um brinde!<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/um-brinde/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC01083small1.jpg" alt="Um brinde!" title="Um brinde!" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-276" /></a></p>
<p>Parabenizo também o Marcelo Carneiro, da <a href="http://www.cervejariacolorado.com.br/">Cervejaria Colorado</a>, e o Marco Falcone, da <a href="http://www.falkebier.com.br/">Falke Bier</a>, que prestigiaram o evento. O Marco trouxe a sua novidade F5, uma Bohemian Pilsener deliciosa. Tomei algumas tulipas dela e pelo jeito ele tomou muitas! Há dezenas de microcervejarias no estado e centenas no país (estou exagerando?) mas às vezes nem parece que tem tanto. Parabéns a esses três que estão sempre juntos e nos apoiando!<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/marcelo-marco-e-alexandre/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC00150smallcrop1.jpg" alt="Marcelo, Marco e Alexandre" title="Marcelo, Marco e Alexandre" width="396" height="460" class="alignnone size-medium wp-image-275" /></a></p>
<p>Quanto ao concurso, foi na véspera, também na fábrica da Bamberg. Foi a minha primeira experiência como jurado e foi muito bacana. No meu grupo de jurados estavam o <a href="http://www.brejas.com.br/blog/">Maurício do Brejas</a>, o <a href="http://www.cervejaartesanal.com.br/">Afonso Landini da Turma da Cerveja Artesanal</a>, o <a href="http://obiercevando.blogspot.com/">Feijão do Obiercevando</a> e o <a href="http://www.melograno.com.br/">Edu Passarelli do Melograno</a> e foi uma delícia trocar experiência com eles.<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/degustando-e-avaliando/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC00088small1.jpg" alt="Degustando e avaliando" title="Degustando e avaliando" width="400" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-279" /></a></p>
<p>A Duda, a Lu e a Tati da <a href="http://femalecarioca.blogspot.com/">Female Carioca</a> foram providenciais em fazer a degustação ocorrer sem maiores problemas. As três primeiras escolhidas do conjunto de jurados foram também as minhas três primeiras, na mesma ordem. Os cervejeiros vencedores foram Guilherme de Santi, Paulo Ferro e Alex Viera, respectivamente (e que aparecem na foto abaixo da direita para a esquerda).<br />
<a href="http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/os-vencedores/"><img src="http://cervejarte.org/blog/wp-content/uploads/2010/07/DSC00145smallcrop1.jpg" alt="Os vencedores" title="Os vencedores" width="400" height="556" class="alignnone size-medium wp-image-277" /></a></p>
<p>Em uma nota mais particular, agradeço imensamente ao David e à Thais, por receberam a mim e à Duda em sua casa em Campinas, com tanto carinho, e cuidarem tão bem da gente durante todo o final de semana. Agradeço também ao Christoph, que esteve sempre presente e também nos ajudou muito. E por coincidência, David e Thais acolheram ao Botto e ao Mauro, junto com a Tati e a Lu, de sexta pra sábado também. Já tava tudo armado!</p>
<p>Valeu pessoal!</p>
<p>PS: Agradecimentos à Lu e à Duda pelas fotos, mesmo que tenha sido sem o consentimento delas&#8230; ;)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cervejarte.org/blog/2010/07/28/i-concurso-paulista-de-cerveja-caseira-e-festival-de-inverno-da-acerva-paulista/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

