Brewdog Hopinator

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A cerveja já existe há milênios e, pensando nisso, é incrível ver a revolução que vem acontecendo com ela. Em particular, é fascinante ver essas novas variedades de lúpulos, surgindo cada vez com maior frequência, em diversas partes do mundo. Junto com isso, vemos formas de aumentar a percepção dos aromas e sabores do lúpulo na cerveja, como o chamado Hopinator e outros tipos de infusores de lúpulo usados na hora de servir a cerveja.

O uso de infusores de lúpulo utilizados na hora de servir a cerveja não é novo, mas vem ganhando cada vez mais força, junto com a obsessão por lúpulo de boa parte dos cervejeiros e consumidores. Um dos mais famosos infusores de lúpulo é o Randall the Enamel, desenvolvido pela cervejaria Dogfish Head. Eles o chamam pelo nome rebuscado de organoleptic hop transducer module… A primeira versão foi lançada em 2002 e aprimorada mais recentemente. Serve não apenas para fazer uma infusão de lúpulo, mas também para frutas e outros ingredientes.

No meio caseiro, é frequente o uso de um filtro comum de água e entupido de lúpulo, conectado entre o barril ou post-mix e a torneira de tirada da cerveja.

Certamente há várias questões técnicas a serem discutidas, mas não investiguei muito isso. O que queria mostrar é o hopinator que vi no bar da Brewdog em Camden Town, em Londres.

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A cerveja que estava sendo servida pelo Hopinator era a “IPA is Dead”, com os lúpulos East Kent Goldings e Nelson Sauvin no infusor.

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Eu nunca curti muito esses infusores, achava que dava um gosto exagerado de lúpulo na cerveja, que ficava com gosto de mato. Não entendia a curtição. Não achava nada aromático e equilibrado. Até ver e provar esse da Brewdog Camden. Notei uma diferença em relação a todos os outros que tinha visto e experimentado antes.

Nos outros, via cervejeiros entupindo o infusor de lúpulo. Imagine a primeira tirada de chopp depois de uns minutos sem tirar nenhuma cerveja, com o líquido mergulhado naquela selva de lúpulo. E mesmo depois disso, com a cerveja percolando por tanto lúpulo. Agora observe neste da Brewdog como o infusor em si é gigantesco e como a quantidade de lúpulo é relativamente pequena. O resultado é um cerveja delicadamente lupulada, bastante aromática, mas sem aquela impressão de se estar comendo grama.

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Note que, desta forma, este da Brewdog funciona de fato como um infusor, pois há um grande volume de cerveja no Hopinator e o lúpulo fica em infusão em boa parte da cerveja, por um bom tempo. Isso é bem diferente do caso em que se enche quase todo o recipiente com lúpulo e o espaço para a cerveja é pequeno, com boa parte do volume de cerveja passando através do lúpulo. Desta forma, o infusor funciona muito mais como um filtro, pois há pouco tempo de infusão e há muito lúpulo em comparação com o líquido que passa. Fisicamente, a passagem da cerveja, sobre pressão, através do filtro pode também não ser uma coisa suave, o que pode agravar a extração de material vegetal do lúpulo, aumentando a sensação de grama.

Bom, mas isso ainda está no campo da especulação. Não sei se isso deveria ser uma regra para um bom funcionamento de um infusor de lúpulo, mas essa foi a minha pequena experiência com isso. Uma busca na internet por “Brewdog hopinator” revelará fotos com diversas quantidades de lúpulo no infusor, algumas aliás bastante entupidas de lúpulo. Certamente há bem pouco lúpulo no que experimentei e acredito ser possível colocar bem mais lúpulo antes de chegar no ponto de ficar exagerado. Mas entupir o infusor, em princípio, eu não vejo com bons olhos. De qualquer maneira, vou continuar atento a novas experiências, observando esse detalhe. E quem tiver um desses em casa ou no bar, fica aí a dica para experimentar. Quem quiser compartilhar as suas experiências, fique à vontade para escrever abaixo. Será um prazer receber a opinião de vocês e chegar a uma conclusão mais embasada.

Um abraço e até a próxima!

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