Sanitizando com Iodofor ou ácido peracético

Uma parte chata mas muito importante na fabricação de cerveja é a sanitização.

Há muito tempo que uso ácido peracético para sanitizar o equipamento para a cerveja, mas recentemente achei melhor testar iodofor, por questões de segurança. E acabei descobrindo que o iodofor ainda tem algumas outras vantagens, como o menor tempo de contato necessário para a sanitização e um rendimento maior.

O que ambos têm em comum é que são de ação rápida e não requerem enxágue posterior. Isso quando usados em concentrações apropriadas.

É possível usar outros produtos ou métodos, como água sanitária e calor, mas que são, em geral, mais trabalhosos. A água sanitária, em particular, requer um trabalhoso enxágue posterior. Usar o forno, por sua vez, é demorado e nem sempre é prático, apesar de ser útil para sanitizar garrafas, por exemplo.

Ácido peracético

O ácido peracético que costumo usar é o Proxitane 1512 (uma mistura em equilíbrio contendo ácido peracético (15%), peróxido de hidrogênio (23%), ácido acético (16%) e veículo estabilizante), comercializado pela Thech, em São Paulo. É bastante utilizado na indústria alimentícia e, em particular, em muitas micro-cervejarias.

A Thech vende para pessoa física também, apesar do procedimento padrão ser para pessoa jurídica. Mas com paciência é possível comprar com eles. Nem todas as transportadoras conseguem enviar esse produto, mas eles têm contato com uma transportadora apropriada. São vendidos galões de 5L (5kg). A WE Consultoria também comercializa ácido peracético, mas a uma concentração mais baixa, de 2%. Tanto a Thech quanto a WE vendem por aproximadamente R$27,00 o litro. A Turma também vende ácido peracético, na forma sólida, para ser diluído em água. A indicação é para usar 1g para cada litro de água, mas não há informação sobre a concentração de ácido peracético obtida com essa diluição. O pacote com 300g sai em torno de R$26,00.

Há recomendações diferentes, dependendo da fonte, sobre a concentração apropriada para uso, mas a indicação mais comum é usar ácido peracético a uma concentração de 0,01 a 0,1% (e.g. “The Brewer’s Handbook”, por Ted Goldammer, KVP Publisher, Clifton, VA, EUA, 1999.).

Como o Proxitane 1512 tem uma concentração de 15% de ácido peracético, uma diluição do Proxitane entre 0,07 e 0,6% dá a concentração mencionada acima. Outras fontes recomendam algo entre 0,2 e 0,5%. Normalmente uso algo em torno de 0,2% de Proxitane, o que dá 0,03% de ácido peracético. Essa concentração pode ser obtida, por exemplo, usando 20ml de Proxitane 1516 para cada 10L de água. O tempo mínimo de contato recomendado é de 10 minutos.

A solução diluída pode ser reaproveitada para sanitizar vários equipamentos (e.g. passando de um tanque de fermentação para outro, em seguida para uma bacia com mangueiras e conexões e também para garrafas, sempre deixando cada material em contato com a solução por no mínimo 10 minutos). A solução diluída pode, ainda, ser reaproveitada por alguns dias, mas não muito mais do que isso.

Usando uma diluição de 0,2% de Proxitane 1512, 1L do produto dá pra 500L de solução de trabalho. Para uma diluição equivalente, o ácido peracético da WE dá para 66L de solução de trabalho. E usando a diluição sugerida de 1g por litro, os 300g de ácido peracético sólido da Turma dão para 300L de solução de trabalho.

O ácido peracético pode ser usado em plástico, vidro e aço inox, sem problema algum.

Uma desvantagem grave do ácido peracético é que ele é um ácido bastante corrosivo, que requer muito cuidado no manuseio. Além disso, é transparente, o que aumenta o risco de acidentes. Nos Estados Unidos, é necessário comunicar o Corpo de Bombeiros local caso se guarde ácido peracético em casa. Não deve ser transportado a uma temperatura acima de 30C. Não deve ser armazenado em recipiente sem válvula para alívio da pressão (não guardar em garrafa PET, por exemplo). Em caso de contato com a pele ou olhos, lavar com bastante água. Em caso de ingestão, ingerir bastante água, não induzir ao vômito e procurar socorro médico imediatamente. Aqui me refiro à solução concentrada de ácido peracético, tanto a de 15%, da Thech, quanto a de 2%, da WE. A solução de trabalho não é tão problemática.

Apesar de bastante prático, se usado com cuidado, achei melhor passar para o iodofor, pelos riscos que o ácido peracético traz.

Iodofor

O iodofor é bastante utilizado por cervejeiros caseiros nos EUA, mas tive dificuldades em achá-lo no início e acabei conhecendo e me acostumando com o ácido peracético. Agora, porém, sabendo que a WE Consultoria comercializa um iodofor, resolvi experimentar.

O iodofor comercializado pela WE é o Kalyclean S390, da empresa Kalykim. É uma solução com no mínimo 1,4% de iodo, algum ácido inorgânico para controlar o pH e manter a solução em equilíbrio, e tensoativos não-iônicos. O frasco de 1L que recebi veio com 1,5% de iodo e 85% de ácido fosfórico. A recomendaçao do fabricante é para uma diluição entre 0,4 e 1% para sanitização e 3% para desinfecção, mas com necessidade de enxágue posterior. É muito usado na indústria alimentícia, também.

Para o uso sem enxágue, a concentração recomendada de iodo é de 12,5ppm (ou entre 12,5 e 25ppm) e o tempo mínimo de contato é de apenas 1 minuto!

A concentração de 1,5% de iodo no Kalyclean S390 é por peso, o que significa que temos 15g/L de iodo. Diluindo 1ml de iodofor em 1L de água obtemos uma solução com 15mg/L, ou 15ppm (ppm indica a concentração de um soluto em mg para cada Kg de solução; como 1L de água pura pesa exatamente 1Kg e a solução de Kalyclean tem uma gravidade específica de aproximadamente 1.040, muito próxima da da água pura, então podemos considerar ppm como aproximadamente mg/L). Para obter uma solução com 12,5ppm, devemos diluir aproximadamente 0,83ml de iodofor em 1L de água. Isso dá uma diluição de 0,083% por volume do Kalyclean S390. Para efeito de comparação, a recomendação de diluir o Kalyclean S390 a 0,4% equivale a diluir 4ml em 1L de água, o que dá uma solução com concentração de iodo de aproximadamente 60ppm.

Para fazer 10L de solução de iodofor a aproximadamente 12,5ppm, basta diluir então 8,3ml (ou algo próximo disso) de Kalyclean S390 em 10L de água. A calculadora abaixo pode ser útil para facilitar o cálculo da diluição necessária, principalmente caso o iodofor tenha uma concentração diferente.

Concentração de iodo no iodofor, em peso

%

Volume de iodofor a ser diluído

ml

Volume de água

L

Concentração da solução

ppm

Volume da solução

L

O iodofor também pode ser usado com plástico, vidro e aço inox, mas o contato com o plástico não deve ser prolongado para evitar que ele fique manchado. Usei o iodofor esse final de semana e cheguei a deixar a solução por mais de 1h em uma bacia de plástico transparente e não notei mudança na coloração. Só as mangueiras de silicone é que com pouco tempo de contato (alguns minutos) ficaram meio “rosadas”, mas depois de passar água ou até mesmo mosto, essa coloração desapareceu. Talvez a longo prazo, com vários contatos prolongados, alguma coloração permanente seja evidente, mas, de qualquer forma, o correto é trocar essas mangueiras de plástico e silicone de tempos em tempos. PET, por sua vez, é mais resistente à coloração.

Vale ressaltar que não há muito problema em deixar mais tempo; a recomendação de 1 minuto é do tempo mínimo necessário para uma sanitização adequada. O único problema de uma longa exposição é manchar os materiais de plástico, mas mesmo assim isso é apenas um problema estético.

Diluído em água, iodo é muito volátil e sublima da solução, principalmente se exposta ao ar. Por esse motivo, a solução de trabalho do iodo pode ser reaproveitada mas não por muito tempo. Recomenda-se que essa solução seja guardada em uma jarra de vidro ou PET bem fechada e utilizada dentro de uma semana.

O litro de Kalyclean S390 sai por R$27,00 na WE. E como a diluição necessária é menor que a do Proxitane 1512 (0,83ml em 1L contra 2ml em 1L), o iodofor ainda sai mais em conta. Um litro de iodofor dá pra uns 1200L de solução de trabalho. Além de ser mais rápido, pois o tempo de contato é de apenas 1 minuto.

Apesar do ácido fosfórico, o Kalyclean S390 é relativamente seguro. Mesmo assim, em caso de contato com a pele ou olhos, lavar também com bastante água, e, em caso de ingestão, ingerir bastante água e não induzir ao vômito. Novamente, me refiro à solução concentrada de iodofor.

Para efeito de comparação, o iodofor mais comum usado por cervejeiros caseiros nos EUA é o BTF iodophor, que é uma solução a 1,6% de iodo. Para obter 12,5ppm, é preciso então diluir aproximadamente 0,78ml de BTF iodophor em 1L de água, ou, conforme recomendado no rótulo em unidades imperiais, 1/10 de onça-fluida em 1 galão, ou 1/2 onça-fluida em 5 galões.

Para mais informações sobre iodofor, vejam as páginas de Robert Arguello, da All QA Products – Sanitizing with iodophor solutions, a seção Sanitation do livro How to Brew do John Palmer, o artigo Can iodophor be used as a no-rinse sanitizer?, da Brew Your Own, e o artigo A Complete Guide to Cleaning and Sanitation.

110 ideias sobre “Sanitizando com Iodofor ou ácido peracético

    • parabéns pelo blog, muito bom mesmo.
      estou usando o iodofor para sanitizar meus equipamentos com essa concentracao de 8,3ml para 10l de agua. fico com medo de deixar aquela espuma no fermentador, por isso eu enxaguo sempre. devo ignorar isso ou estou fazendo certo?

      • Olá, Luiz,

        Se você enxaguar com água que tenha sido previamente fervida, tudo bem, só está tendo mais trabalho, mas não há problema. Mas se usar água da bica ou do filtro, sem tratar antes, você pode estar contaminando o equipamento.

        A espuma, desde que não seja em quantidade exagerada, não atrapalha em nada. Eu costumo apenas deixar escorrer um pouco. A vantagem do iodofor é justamente não precisar de enxágue posterior.

        Abs,
        Ricardo

  1. Muito bom Ricardo! Fiquei com uma dúvida: é ruim deixar passar muito de 1 minuto? Digo isso porque aparentemente é bacana resolver a sanitização em 1 minuto, mas às vezes, passando por mangueiras, torneiras, etc, vamos gastar bem mais do que esse tempo.
    abs

  2. Valeu Botto!

    E Tiago, boa pergunta, devia ter deixado isso mais claro. Não há problema em deixar mais tempo, a recomendação de 1 minuto é do tempo mínimo necessário para uma sanitização adequada. O único problema de uma longa exposição é manchar os materiais de plástico, mas mesmo assim isso é apenas um problema estético. Vou ver se altero o texto para não deixar dúvidas.

    Abs,
    Ricardo

  3. Olá!!

    Em primeiro lugar parabéns pelo post super informativo!

    Aqui vai uma informação “chata”: Liguei na Tech hoje, e descobri que eles nao vendem mais volume abaixo de 100kg.

    Eles mandam você ligar num representante. E o produto do representante sai pelo dobro do preço.

    Abcs

  4. Ótima postagem ! Eu li por coincidência, hoje mesmo, um artigo em que um homebrewer testou o iodofor e que mesmo se vc usar a concentração 8x maior do que o indicado a chance de geral um odor ou off-flavor é mínima.

    Além disso ele testou o produto e verificou que ele tb não é nocivo às leveduras! Realmente o iodofor é uma ótima opção!
    http://kotmf.com/articles/iodophor.php

  5. ESPETACULAR !!!!!
    Isso está mais para um “paper”, um artigo científico, do que um post.
    Sensacional !!!
    Ab
    Carlos Henrique

  6. Fulvio,

    É uma pena saber sobre a Thech não vender mais os galões de 5Kg. Mas no fundo até não acho ruim, porque prefiro ver todo mundo usando iodofor para evitar acidentes sérios.

    Abs,
    Ricardo

  7. Valeu, Carlos Henrique! Valeu, Allan!

    E Bode, sim, bem lembrado!. Essa é uma das páginas listadas ao final do meu artigo.

    Outra informação interessante de outro artigo e que algumas
    contas confirmam é que não há problema em relação à ingestão
    do iodo residual, que acaba sendo mínimo. Mesmo no caso de
    um descuido muito grande, sem nem deixar a solução escorrer,
    e em várias etapas (e.g. fermentação, maturação, priming, envase),
    o iodo que chega a 1L de cerveja é menor do que o que está contido
    em 1g de sal iodado Cisne, por exemplo.

    Abs,
    Ricardo

  8. Prezado Ricardo,

    Excelente postagem! Obrigado por compartilhar o teu brilhante conhecimento, parabéns pela atitude e pela postagem. Os cervejeiros de plantão agradecem.

    Um abraço,

    Jean Claudi.

  9. Oi Ricardo.. tudo certo?? putz eu acho guardar peracetico muito perigoso eu mesmo ja me queimei varias vezes e a dor eh muito forte hehehe… vou experimentar o iodoform tambem…. valeu pelo post… o que tenho da start a concentração é 17%

    meio offtopic mas voce sabe quanto tempo podemos guardar peracetico?? que ele se deteriora eu sei mas por exemplo se passou da data de validade ele ainda continua potente mas ate quando??

    abraco

  10. Valeu Jean Claudi!

    Valeu Rafael! Infelizmente não tenho informação sobre a eficácia do ácido peracético depois do prazo de validade, que no caso do Proxitane 1512 é de nove meses.

    Abs,
    Ricardo

  11. Ricardo,
    parabéns pelo post. O ibope é proporcional à qualidade!

    Uma pergunta: que água vc. usa pra sanitizar? Aqui em SP, percebo a água bem mais clorada do que as do Rio ou BH, que eu conheço melhor. Tem algum problema? Eu tenho acreditado/esperado que não, contando que o cloro na água vai volatilizar na secagem do fermentador…

    Abs,
    Eduardo

  12. Grande Eduardo!

    Que eu saiba não há problema em usar água clorada nesse caso. O problema aparece quando se usa água clorada para a brassagem e para a lavagem, mas no caso de limpeza ou sanitização, a água “residual” é mínima e o cloro, imagino, negligível.

    Abs,
    Ricardo

  13. Ricardo,

    Primeiramente parabéns pelo artigo, está muito explicativo! O blog também está de parabéns, estou lendo todos os post e aprendendo muito!

    Percebi que estava fazendo errado, usando muito iodofor, e diluindo em alcool 70.
    Alguns sentiram um aroma medicinal em uma stout minha, apesar de não ter usado nada de cloro, você acha que pode ser da concentração alta de iodofor? Detalhe: eu enxaguei o fermentador com água fervida.

    Off-topic, mas gostaria de saber de onde você compra os fermentos da white labs..

    Abraços!

    Rodrigo Brasil
    http://www.cervejamcduff.blogspot.com/

  14. Olá, Rodrigo,

    Lavando com água fervida elimina o problema do iodofor em excesso. Sem problemas, só dá mais trabalho.

    Quanto ao cloro, se você não use nenhum produto de limpeza a base de cloro, a única explicação que me vem à cabeça é se você estiver usando água com cloro pra fabricar a sua cerveja. Caso contrário, não sei qual poderia ser o motivo do medicinal.

    Quanto aos fermentos da white labs, geralmente trago na bagagem, quando viajo pra lá, mas também é possível comprar diretamente de alguma loja nos EUA, como http://morebeer.com . Não sai muito barato e o fermento pode ficar preso muito tempo na alfândega, mas em geral dá pra recuperar o fermento mesmo assim.

    Abs,
    Ricardo

  15. Olá Ricardo,Seu Blog hoje é o melhor do Brasil para os Homebrews.Direto e muito claro, principalmente para um matemático rsrsrsr.
    Talvez você não tenha idéia de quantas pessoas já tiraram dúvidas por aqui, todos deveríam escrever agradecendo… E é isto que eu estou fazendo.
    Valeu pela generosidade!

  16. Eu uso o iodopovidona (que vende em farmácias) a uns 6 meses, tem concentração de 10% de iodo, e não tive problemas de contaminação.

    Achei mais prático, pois é encontrado em qualquer farmácia.

  17. Ola Pessoal,

    Para o Iodofor, sugiro o Biocid da Pfizer. É mais barato e melhor. É facilmente encontrado em casas de produtos agropecuarios, uma vez que é bastante usado para desinfecção de uberes de vacas leiteiras.

    Abs

    Marcos

  18. Caro Ricardo,
    vamos começar a sanitizar com o Iodofor graças a este artigo seu e estamos com uma dúvida com relação ao descarte da solução diluída após o uso. Como podemos fazer isso sem prejudicar o meio ambiente?

    Obrigado.

  19. Adriano,

    Acho que não há problema ambiental no descarte da solução diluída no sistema de esgoto da sua própria residência. Acho que ela será rapidamente diluída a níveis inofensivos. Alguém aí me corrija se eu estiver errado.

    Abs,
    Ricardo

  20. Valeu, Antonio!

    E obrigado, Júlio, pela informação!

    Fica aí mais uma opção para a compra de ácido peracético, com o Júlio, ainda mais agora que parece que a Thech não está mais vendendo volumes pequenos (não cheguei a conferir). Espero que você possa fornecer pequenas quantidades.

    Abs,
    Ricardo

  21. Boa tarde Ricardo,
    parabéns pelo Blog, estou aprendendo muito…
    Sou principiante no assunto e na prática da cerveja artesanal, fiz apenas uma leva de Pilsen…
    Planejo uma nova leva de 20 litros e gostaria de saber se vc tem uma receita para Pilsen que já testou e aprovou – baseado em sua experiência.
    Tenho 05 Kg de malte Pilsen Alemão da WE, fermentos W 34/70 de 11,5 g , lúpulo Hallertau Magnum 13,2 A.Alfa e lúpulo aromático Saaz Pellet T-90 4% A.Alfa, e ainda Whirlfloc(não sei se vc usa).
    Muito obrigado,
    Gilmar Pires

  22. Olá, Gilmar,

    Nunca fiz pílsen, nem lager alguma. Veja nos blogs da Confraria do Marquês, Bottobier e Lúcida (links ao lado).

    Abs,
    Ricardo

  23. Prezado Ricardo:
    Voltando novamente ao assunto da sanitização, sou de POA e compro meus insumos na WE. Fui informado pelo pessoal de lá que o peracético que vendem deve ser diluído da seguinte maneira: em um recipiente coloca-se 500mL de água, 8mL do Kalyclean (peracético)e mais 500mL de água. Não sei pq não se adiciona diretamente a 1L, também não questionei.
    Ainda não usei esta concentração mas estou também pensando em mudar para o iodo. O peracético além do risco de queimaduras também possui o de inalação, que considero pior.
    Grande Abraço

    Rogerio

  24. Pessoal,

    Para deixar registrado, complemento uma informação sobre o ácido peracético em pó. O peracético em pó oferecido atualmente por alguns fornecedores é o produto PAC 200 PÓ. Não sei dizer se o vendido anteriormente era esse mesmo, por falta de informação declarada, mas provavelmente era.

    A ficha do produto (http://ecodobrasil.net/FTs/FT%20PAC%20200%20PO.doc) diz que diluindo-se 1g do produto em 1L de água obtém-se uma concentração de 200ppm de ácido peracético, equivalente a 0,02%, que é adequada para a sanitização sem enxágue posterior. (Talvez daí venha o nome PAC 200!)

    O pote de 300g do produto rende, então, 300L de solução de trabalho e, no momento (maio de 2011), custa R$22,50 pela Turma (http://cervejacas.lojatemporaria.com/sanitizantes/pac-200-acido-peracetico-300gr.html) e R$19,00 pela Master Brau.

    A Master Brau sugere outra diluição (1g para 2L), com o pote de 300g rendendo 600ml, rendendo a concentração mínima recomendada de 0,01%. Eu não arriscaria ir tão baixo assim, mas é uma opção.

    Abs,
    Ricardo

  25. Boa noite Ricardo;
    Post e blog maravilhosos.
    Agora estou com uma duvida,a we recomenda de 0,4% a 1% o que pra 10litros daria 40ml (usando 0,4%) e vc indica 8,3 ml pra 10 litros?qual a diferença?
    Abraços.

    • Olá, Andre,

      É normal haver a indicação para usar uma concentração maior de iodo, mas nesse caso é necessário lavar com água para reduzir o excesso de iodo. Mas no nosso caso, queremos uma sanitização sem necessidade de enxágue posterior. Por isso a concentração menor, que também foi provada como ainda sendo eficaz.

      Um abraço,
      Ricardo

  26. Caro Ricardo, parabéns. Muito bom blog!
    Só um comentário a respeito do comentário feito pelo Rodrigo Brasil: ele diz que iodopovidona tem 10% de iodo, na verdade o produto que ele comprou tem 10% de iodopovidona e 1% de iodo ativo. Nossos cálculos devem ser feitos com base no iodo ativo, afinal de contas será ele que irá trabalhar na sanitização.

  27. Olá Ricardo,

    Primeiramente, excelente post. Me convenceu a usar o iodofor. rs

    Só um dúvida que eu fiquei, quando eu sanitizei as minhas garrafas deste modo. Eu fiz a solução com bastante cuidado para não colocar uma concentração maior do que o recomendado só que na hora de sanitizar as garrafas fez um pouco de espuma, e essa espuma ficava dentro da garrafa. Isso é normal? Eu acabei enchendo normalmente e a própria cerveja expulsou praticamente toda a espuma, mas mesmo assim fiquei um pouco preocupado.

    Abraços,
    Denis

    • Olá, Denis,

      Realmente a formação dessa espuma é o único problema que vejo com o iodofor. Tem que despejar com cuidado para reduzir a espuma.

      Abs,
      Ricardo

      • Realmente, na próxima vou tomar mais cuidado. Na hora de passar a solução de um balde para outro acabei despejando sem me preocupar muito e foi ai que gerou a espuma. Imagino que usar uma jarra pra encher as garrafas com a solução resolva esse problema.

        Eu enchi as garrafas a pouco tempo (sexta-feira). Ainda não deu tempo pra ver se contaminou a cerveja. Será que corro esse risco? A aparência nesse momento é perfeita, sem nenhum traço de espuma dentro das garrafas.

        Abraço,
        Denis

        • Denis,

          O iodo em excesso pode ser sentido na cerveja e também pode atrapalhar a fermentação (ou re-fermentação no caso do envase com priming), mas, no seu caso, se tiver só passado um pouco de espuma, não acho que isso seja problema. Há uma certa folga na concentração mínima indicada. Qualquer coisa, depois me avisa!

          Abs,
          Ricardo

    • Denis, eu já usei o iodofor algumas vezes e fiz da seguinte forma com as garrafas: enchi submergindo as mesmas no fermentador e depois na hora de escorrer fui vertendo bem devagar para não gerar a espuma. O iodofor faz muita espuma mesmo, até em concentrações pequenas como a nossa. A espuma é gerada durante a agitação.
      Abração.

      • Só pra complementar a informação do meu comentário anterior.

        Na primeira leva que eu engarrafei e que fez bastante espuma não deu pra sentir absolutamente nenhum traço de iodo em nenhuma das cervejas.

        Mas de qualquer maneira na segunda leva eu tomei bastante cuidado tanto para encher como para esvaziar. Aí não fez nenhuma espuma e deixei um pouco as garrafas de cabeça pra baixo e ficou perfeito. Iodofor é a minha escolha daqui pra frente com certeza.

        Abraços

  28. Boa noite Ricardo;
    Só mas umas duvidas que ficaram:
    Sou da microcervejaria serra gelada em visconde de maua,e uso iodofhor desde que li seu artigo,mas pra desencargo de consciência estou tirando minhas duvidas com vc que sabe muito pra eu não ter problemas na sanitização.Bom uso o iodofhor no balde fermentador que fazia cerveja em casa de +- 25litros então pra esses 25 litros posso usar 0,022 ml de iodofhor?isso é correto?E como faço pra saber a concentração de iodo,não achei na embalagem?
    Bom se algum dia vier a mauá,mande um email que terei um enorme prazer e será uma honra recebe-lo.
    Abraços.

    • Andre,

      Se a concentração de iodo ativo não está escrita na embalagem, tente entrar em contato com o fornecedor, ou fazer alguma busca no Google sobre o produto.

      Para 25 litros, seriam uns 0,021 LITROS, ou 21ml de iodophor (assumindo o iodophor com uma concentração de 1,5%). Mas não precisa ser tão exato. Esse é o valor recomendado como sendo o mínimo para não lavagem. Até o dobro disso (42ml) ainda é seguro não lavar.

      Obrigado pelo convite! Estou mesmo com saudades de Mauá. Quando puder, dou um pulo aí e aviso.

      Um abraço,
      Ricardo

  29. Olá Ricardo, sou cervejeiro caseiro e estou montando uma marca com um sócio. O seu post realmente me convenceu que o iodofor ganha do ácido peracético em termos de praticidade e rendimento. Uma dúvida que ficou é: Eu posso usar usar a solução de oidofor em recipientes de alumínio como panelas?
    Abraços

    • Olá, Demetrius,

      Sei que o ácido peracético não é recomendado para alumínio e acho que o iodofor também não. O alumínio, em geral, você pode colocar um tanto de água e deixar fervendo por um tempo.

      Ricardo

  30. Olá Ricardo,
    Pode me ajudar nessa?
    Usei “Biofor”, iodóforo com 2,25% de iodo livre, para todo o processo de sanitização de minha primeira brassagem. Usei sua calculadora de iodo para realizar a medida, ela me informou +-17ml de Biofor para 30L de sanitizante (12,5ppm).
    Porém, quando abrimos as garrafas já refermentadas, notamos que elas tinham pouca espuma (usamos 4g de açucar por L para o primmer) e um traço de iodo no sabor. O que pode ter ocorrido? Erro na concentração, muito tempo de exposição, falta de enxágue (apesar de ser “sem enxague”), falta de secagem dos equipamentos/garrafas sanitizadas ou pouca fé em Saint Patrick?
    Na segunda leva que está refermentando, tentamos baixar a concentração para ver o que ocorrerá. Espero que não contamine…

    Muito obrigado e grande abraço

    • Olá, Marcelo,

      A diluição que você menciona parece correta. Você deixou escorrer a solução de iodo de cada garrafa? Eu não chego a colocá-las de cabeça para baixo, o que faço é despejar a solução com cuidado e deixar a garrafa em pé mesmo, por alguns minutos, e depois despejar o que restou/acumulou no fundo da garrafa, antes de colocar a cerveja. Nunca tive problema de sabor de iodo.

      Quanto à carbonatação, acho que o problema é que 4g/L é pouco mesmo. Sugiro 5g/L ou 6g/L para uma carbonatação baixa e uns 7g/L ou 8g/L para uma carbonatação mais alta. Isso de açúcar refinado de cana.

      Um abraço,
      Ricardo

      • Valeu pelas dicas, Ricardo!

        Vamos testá-las em nossa próxima (e segunda) brassagem e, assim que estiver pronta, posto o resultado por aqui.
        Talvez um escorredor de garrafas ajude na tarefa… vamos pensar em algo envolvendo pregos de inox bem grande e uma tábua de polietileno. Pode funcionar.
        Abraços

  31. Caro Ricardo, parabéns pelo artigo. Muito elucidativo!
    Em uma resposta você disse que o iodofor não deve ser utilizado no alumínio…. mas e no inox? mesma recomendação?
    Grande abraço,
    João Marcello

    • João, não há problema em usar iodofor com inox. Eu uso, por exemplo, para sanitizar os cornelius.
      Grande abraço,
      Ricardo

  32. Ricardo;

    Primeiro, parabéns pelo blog. Ótimo e super esclarecedor.

    Quanto ao Kalyclean, minha dúvida é a seguinte: no litro de Kalyclean S 390 que eu acabei de obter junto à WE, na “composição” diz: Nonifenol Etoxilado + dluentes, estabilizantes, etc. Ou seja, não é iodo. Na verdade, segundo o Dr. Google, é obtido entre a reação de nonilfenol e o óxido de eteno. Nas minhas leituras de leigo, eu nunca li nada sobre estes químicos na sanitização do meterial cervejeiro. Será que dá mesmo para usar da mesma forma que o iodo?

    Um abraço;

    José Gomes

    • José Gomes,

      Pelo que eu entendi, o nonilfenol etoexilado é um composto que é usado para estabilizar o iodo. O que interessa é quantidade de iodo livre que a solução tem. No caso do S390, fui informado pela empresa que o iodo livre é da ordem de 1,4% por massa. Daí foram tirados os cálculos acima. Também acho estranho não ter essa informação do iodo livre no rótulo, mas parece que é assim mesmo.

      Abs,
      Ricardo

      • Ricardo;

        obrigado pela resposta e disponibilidade em instruir-nos sobre cerveja. Eu acho muito estranho o rótulo não conter a palavra iodo. Não sei se você teve a oportunidade de ver o rótulo. Acho até que vou fotografá-lo e mandar para a firma, sugerindo que seja mais esclarecedor sobre o conteúdo de iodo.

        Aproveitando a oportunidade: se eu, na hora de engarrafar (priming), usar um pouco de suco de frutas ao invés de açucar, dá certo? O gosto da fruta tende a ficar? Voce tem experiência com isto?

        Obrigado novamente;

        Saudações;

        José

        • Eu sei do rótulo, tenho um frasco aqui comigo. Na época que comecei com esse S390, acho até que tinha a menção ao iodo e dizendo que a concentração era de 1,5% (anotei algo assim). Troquei mensagens com alguém da Kalykim que disse que a concentração é de 1,4% de iodo. Em um panfleto da Kalyclean que achei na internet dizia que a concentração era maior ou igual a 1,4%. Não acredito que tenham mudado o produto, talvez apenas o rótulo, até por conta de uma possível pequena variação na concentração que possa existir de fabricação pra fabricação. Mas que eles deveriam informar corretamente, deveriam sim. Acho ótimo entrar em contato e cobrar isso.

        • Quanto ao priming com suco, a questão é a quantidade. Não sei se o suco é concentrado o suficiente pra carbonatar direito. Ou talvez você possa complementar com mais açúcar. Dependendo da quantidade, acho que o gosto do suco vai passar sim! Nunca fiz algo assim. Já coloquei suco pra refermentar, pelo sabor mesmo, mas antes de envasar. A carbonatação foi com açúcar mesmo.

          • Olá amigos,
            Também nunca testei a adição de suco de frutas integral como primer, no entanto, como fonte de informação, trago o caso de uma colega que o fez!
            Ela adicionou perto de “um dedo” (medida precisa e científica rsrs) de suco natural de manga, extraído diretamente da fruta, em garrafas de 500ml como primer. Resultado:
            “Garrafa vulcão”! A carbonatação ocorreu em excesso, o que fez todas as garrafas espumarem muito no momento da abertura. Não tive notícias de explosão.

            Abraços

  33. vi q no site da Thech tem esse outro sanitizante, Sterilife, será q ele serve para a produção de cerveja? parece ser mais seguro e não degrada materiais sintéticos (PVC, plásticos, acrílicos, tintas, etc.)

    • Raphael,

      Não conheço esse Sterilife. Vi no site da Thech que é à base de ácido peracético também. Não dá mais detalhes da composição. Diz que não precisa de diluição, mas a concentração que eles colocam é um pouco alta para não-enxágue. Seria necessário diluir mais ou enxaguar. Aliás, como já vem bem diluído, deve sair mais caro. A minha impressão é que seria um bom produto para ser usado, direto, de vez em quando, com enxágue, principalmente se tiver tido alguma contaminação.

      Abs,
      Ricardo

  34. Ricardo, uma das minhas maiores dúvidas era relativo a sanitização e o que e quanto utiizar. Este post me ajudou bastante sobre como diluir, principalmente o ácido peracetico.

    Você já viu um produto que vende no Brasil chamado Biofor (http://www.agroline.com.br/produto/ver/633/biofor-1-litro-chemitec/)?

    Tem 2,25% de iodo livre. Este produto então renderia mais do que os produtos apresentados, visto sua maior concentração de iodo, correto?

    Neste caso se diluísse em 1L de água 1ml de Biofor, teríamos 22,5mg/L, que seria uma concentração alta.

    Neste caso, poderíamos colocar 12 ou 13L de água. O que acha?

    • Olá, Julio,

      Já tinha ouvido falar desse Biofor, mas não conhecia. Muito obrigado pelo link! Realmente também é uma ótima alternativa, a concentração dele é um pouco mais alta que a do Kaliclean S390 mas ainda não é tão alta assim para dificultar a diluição.

      Uma diluição entre 5 e 6ml de Biofor em 10L de solução daria algo em torno da concentração indicada de iodo de 12,5ppm.

      Grande abraço!
      Ricardo

  35. Boa tarde Ricardo,

    excelente texto e parabens pelo blog. Muito bom!
    Eu recentemente comprei um iodofor vendido em farmacia, porém ele dessa vez não veio escrito PVPI 10% e sim iodopolvidona 100mg;/ml (10mg iodo ativo)
    logo fiz o calculo como sendo 10% de iodo ativo. e calculei 1ml da solução pra 8 Litros de agua.
    O problema é que não tive uma agua “corada de guaraná” como costumam dizer. A agua ficou bem transparente. A agua necessita ficar nessa coloração mesmo?

    Abraço

    • Oi, Christian,

      A água tem que ficar amarelada sim, se não ficar, provavelmente a concentração não está correta.

      Se são 10mg/ml de iodo ativo, isso dá aproximadamente uma concentração de 10mg/g, ou 1%, de iodo ativo. Então é necessário usar entre 12.5 e 25ml desse iodofor para cada 10L de água.

      Abs,
      Ricardo

      • Ricardo, parabéns pelo post!!!
        Sou iniciante na produção de cerveja caseira…Fiquei com dúvida se é preciso fazer essa medida de ppm bem exata?? O que pode acontecer caso coloque mas que o necessário??

        Grande Abraço.

        • Olá, Leonardo,

          Não é necessário fazer a medição bem exata. Para o iodofor, há uma margem bem boa (12,5ppm a 25ppm, ou em torno disso). O peracético possui uma margem ainda maior. Se exagerar na quantidade, é possível que os efeitos do produto sejam percebidos na cerveja.

          Abs,
          Ricardo

  36. Na explicação de uso da WE…manda enxaguar…..pode mesmo não enxaguar?

    Manual de Uso

    Concentração de diluição: 0,6 % ( 6ml de produto para cada 1L de água )

    Tempo de contato: Deixar agir por no mínimo 10 minutos

    Aplicação: Aplicar nas superfícies limpas, manualmente, por circulação ou pulverização. Após enxaguar com água potável.

    • Jorge,

      A concentração que eles recomendam é muito alta e com uma ação muito mais forte, mas desnecessária para o nosso caso. Nessa concentração, é necessário enxaguar, sim, e aí você precisa ter cuidado com a água que vai usar pra enxaguar. A vantagem de usar um diluição maior, algo como 1ml de iodofor para cada 1L de água (no caso do iodofor ter uma concentração em torno de 1,5% de iodo), é sanitizar o suficiente para os nossos propósitos e não precisar enxaguar.

      Grande abraço,
      Ricardo

  37. Grande Ricardo! Tudo bem? Cheguei até o seu blog pesquisando sobre os usos do ácido peracético x Iodofor. Bom, eu estou aqui de gaiato. Na verdade não produzo cerveja e sim conservas de pimentas defumadas. Para sanitizar as minhas ardidas eu as deixo em infusão no vinagre por 1 semana e os recipientes são lavados e fervidos com água por 15 minutos após a fervura. Todo esse processo leva muito tempo e dinheiro. Em busca de uma solução mais Prática e rápida cheguei ao Iodofor.

    Que as vasilhas eu posso esterilizar com o Iodofor, já sei. Mas e quanto às pimentas? Posso deixá-las no Iodofor por algo em torno de 3 minutos, secá-las e colocá-las no defumador sem que isso represente risco à saúde de quem as consumir depois?

    • Olá, Leo,

      Bacana saber da produção de pimentas em conserva!

      Mas em relação ao uso do iodofor para sanitizar as próprias pimentas, não sei dizer. O uso do iodofor é muito comum para sanitizar o equipamento, mas nunca soube do uso nos próprios alimentos. O iodo em excesso não é bom para a saúde. Em princípio, não recomendaria. Mas não trabalho com isso para ter certeza.

      Um abraço,
      Ricardo

  38. Parabéns pelo post!
    Estou começando na arte de fazer cerveja artesanal e este post ajudou bastante.

    Uma pergunta: para sanitização dos equipamentos (baldes, garrafas, mangueiras, etc) qual o melhor entre o Iodoform e Metabissulfito de Potássio?

    Pelo que tenho pesquisado parece-me que o Iodoform é o melhor.

    Qual tua opinião e este respeito?

    Desde já agradeço.

    • Olá, Adriano,

      Não sou tão familiarizado com o metabissulfito de potássio. Já usei para guardar e sanitizar barris de madeira, mas não para os outros equipamentos. Um aspecto delicado é que é preciso baixar o pH para ele ser eficaz, por isso usa-se ele junto com ácido cítrico, por exemplo. Outro ponto negativo é que, até onde sei, é preciso lavar o equipamento para retirar o produto, pelo menos no caso de cerveja, pois o cheiro de enxofre é altamente indesejado. Acho que o melhor, mesmo, é o iodofor.

      Espero ter ajudado. Um abraço,
      Ricardo

  39. Olá, Ricardo. Qual a quantidade de solução (iodofor + água) devo usar para sanitizar um balde maturador de 20 L? Qual o procedimento? Devo chacoalhar, esfregar?
    Obrigado

    • Eu sempre encho o fermentador com a solução e fico reaproveitando a solução para sanitizar as mangueiras e as garrafas, mas na verdade pode fazer em menos quantidade e apenas borrifar bem o interior do fermentador. É assim que faço nas garrafas, aliás. Uma pequena camada de iodofor que perdure por pouco tempo de contato já é suficiente.

        • Não precisa do enxágue, desde que use a concentração recomendada em torno de 15ppm. Muito mais do que isso requer enxágue para evitar que o iodo interfira no processo e no resultado.

  40. Ricardo, bom dia!
    Eu preciso saber quais as legislações vigentes que dizem sobre a sanitização e desinfecção dos equipamentos da fábrica de cerveja. Estou usando o Iodofor, por indicação de amigos e, gostaria de ter em mãos a legislação para evitar que seja pega em vistorias de vigilância sanitária. Você pode me ajudar nisso? Obrigada!
    PS: Excelente post! Muito esclarecedor e de fácil entendimento!

    • Olá, Mariana,

      Obrigado pela mensagem.

      Não tenho a legislação em mãos, nem os links, mas acho essas legislações costumam estar disponíveis em páginas oficiais e uma busca no google deve resolver isso.

      Um abraço,
      Ricardo

  41. Bom dia! Em relação a validade do Iodofor KALYCLEANS390, na embalagem de 1 litro que comprei, o prazo de validade é de apenas 8 meses após fabricação, em tese levaríamos muito mais tempo para usar este litro; pois dá para fazer 1200 litros de solução sanitizante… Vc acha que realmente ele perde suas funções após este curto prazo de validade estipulado pelo fabricante? Abraços…

    • Olá, Paulo,

      Olha, realmente eu não sei dizer. Não sou químico. A solução diluída de fato perde o efeito muito rápido, algo da ordem de um dia ou dois. Mas a solução concentrada parece durar muito mais. Eu costumo usar muito além do prazo de validade e nunca tive problemas. Enquanto a cor e o cheiro estiverem parecendo normais, eu sigo usando. Talvez algum químico por aí possa responder isso com mais precisão.

      Um abraço,
      Ricardo

      • Muito obrigado pela resposta, foi muito útil, parabéns pelo seu blog e por vc se dedicar tanto para ajudar as pessoas. Um grande abraço!

  42. So um comentario, o iodo sofre uma especie de oxidaçao quando exposto a luz solar, por isso que o Biocid, Biofor ou ate mesmo o iodo povidine vendido em farmacia pra usar em curativos vem em frasco escuro sem transparencia, nao recomendaria armazenar ele depois de diluido em garrafa pet, pois pode haver perda de iodo, outro detalhe e que ele nao tem uma açao muito boa na presença de materia organica, por isso e importante lavar bem o material a ser desinfectado.
    Tomando esses cuidados nao tera problema nenhum. Sempre usei o biocid ou biofor para desinfectar material cirurgico (veterinario) e nunca tive problemas.

  43. Olá Ricardo, excelente texto! Parabéns!

    Como existe um tempo mínimo de contato com o PAC200 (10-20min), para utilizá-lo sanitização de garrafas necessáriamente teria que deixá-las submersas em um balde com a solução de PAC200 por no mínimo 10min antes de escorrê-las?

    Ou poderia simplesmente passar a solução de uma garrada para a outra, chacoalhando por alguns segundos a garrafa com a solução e logo em seguida escorrer? Ou até mesmo usando um “vinator” ou borrifador, que seria o mesmo princípio.

    Grande abraço,
    Mauro.

    • Bom dia, Mauro,

      Acredito que borrifar o peracético não será tão eficiente, justamente porque o tempo de contato será curto. Isso funciona bem com o iodofor, que não requer um tempo de contato longo.

      Abs,
      Ricardo

  44. Ricardo, boa tarde! Tenho um Delivery de chopp e gostaria de saber se posso usar o Iodofor para assepsia das serpentinas e peças de contato como válvulas extratoras! Gostaria de saber também se o produto é desincrustante e qual seria a proporção a ser usada para diluição?
    Obrgado!

  45. Boa noite, Ricardo.
    Muito bom o texto (o que não é novidade, pq sempre leio suas colunas na Revista da Cerveja) mas ainda assim fiquei com uma dúvida. Gostaria de sanitizar um fermentador de 30 litros da indupropil, cujas torneiras são de metal. Qual a diluição do Kalyclean S302 que devo usar (1,8% de concentração)? 8ml para cada litro, como o colega informou num comentário acima ?
    Grato e parabéns

    • Bom dia, Marcelo,

      Obrigado! E desculpe a demora em responder.

      A concentração de uso que tomo como referência é a do livro do Ted Goldammer, citado no texto, de algo entre 0,01% e 0,1%. A uma concentração inicial de 1,8%, diluindo 8ml em 1L dá uma concentração de uso de 0,0144%, portanto dentro do recomendado. Eu costumava almejar 0,03%, então para isso faria um diluição em torno de uns 16-17ml de Kalyclean S302 para cada litro.

      Abs,
      Ricardo

    • Olá, Carlos Eduardo,

      A recomendação deles é a recomendação industrial (usado, por exemplo, em laticínios, pelo que me lembro quando estudei isso), mas que requer enxágue posterior. A recomendação em produção de cerveja é fazer os cálculos a partir da informação de concentraçõa de iodo livre (2,1% no caso) para obter uma diluição que dê em torno de 12-15ppm.

      Abs,
      Ricardo

    • Obrigado, Rafael, pela informação.

      Acredito que na indústria farmacêutica o grau de sanitização deve ser muito maior e um concentração maior é necessária, de fato. Na fabricação de cerveja, porque as leveduras indesejadas que sobram vão perder a competição para a grande concentração de leveduras desejadas inoculadas para a fermentação.

      Abs,
      Ricardo

    • Olá, Rodrigo,

      A unidade ppm já é concentração e é essencialmente equivalente a 1mg/L. Não tem sentido falar em concentração de 1000ppm por 100ml. O frasco tem 100ml no total? Pode ser que você tenha 100ml de solução de iodo a uma concentração de 1000ppm (ou 1g/L). Nesse caso, se você fizer uma diluição de 12:1000 (e.g. 12ml para cada litro), terá os 12ppm recomendados para não precisar enxaguar.

      Por sua vez, o iodofor geralmente é mais concentrado e rende mais.

      Abs,
      Ricardo

      • Bom dia Ricardo, ele vem em um galão de 3 litros, é grosso feito mel….então se eu quiser diluir para 40 litros ( minhas panelas ) devo colocar 480 ml dessa solução que eu citei acima ? grato

  46. Esse post rendeu hein Ricardo?

    Queria agradecer pela riqueza do post. Uso iodophor principalmente por conta dele.

    Minha única questão é a espuma. Os americanos adicionam agente anti-espumante, uma pena o pessoal daqui do Brasil não fazer isso também.

    Forte abraço!

  47. Olá, eu dei uma lida no texto e achei ótimo, esclareceu muitas dúvidas mas ainda tenho algumas. To fazendo um trabalho que vai fazer a automatização da Higienização de garrafas de vidro. Eu poderia usar esse produto (Iodofor) para higienizar as garrafas ? E se eu usar um galão de água para reservar a solução ?
    Como é um protótipo procuro coisas básicas, nada muito profissional como Soda Caustica e nem tanques de aço inox.
    Espero por uma resposta, valeu.

    • Olá, Leonardo,

      Pode usar, sim. A única coisa chata do iodofor é a formação de espuma, caso a solução seja despejada sem muito cuidado. Isso pode acontecer em maior ou menor quantidade, dependendo do seu processo de automação. De qualquer forma, a espuma não é necessariamente um problema, pois a quantidade de solução na espuma é bem pequena. O uso de ácido peracético em equipamento automatizados é mais comum.

      Pode reservar a solução desde que ela seja reutilizada rapidamente. Depois de um ou dois dias, dependendo da concentração, ela não será mais efetiva.

      Abs,
      Ricardo

  48. Bom dia,

    Tem problema se eu fizer uma quantidade grande de sanitizante (iodofor), e deixar estocado em garrafas pet por um periodo de 4 meses ? A melhor forma de aplicar isso seria com um borrifador?

    • Olá, Maico,

      Quanto mais diluído, menor a durabilidade da solução, mesmo selado em garrafas PET. O ideal é não diluir até o momento em que for usar.

      O iodofor pode ser aplicado com um borrifador, desde que, no momento da aplicação, a solução seja borrifada em quantidade suficiente para formar um filme na parede do recipiente.

      Um abraço,
      Ricardo

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